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Rosberg relembra como Schumacher usava até tanquinho em guerra psicológica

Michael Schumacher e Nico Rosberg foram companheiros por três temporadas na Mercedes - AFP
Michael Schumacher e Nico Rosberg foram companheiros por três temporadas na Mercedes Imagem: AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

11/05/2020 08h37

Nico Rosberg tinha 24 anos quando foi contratado pela Mercedes, que voltava à categoria em 2010, tendo comprado o espólio da Brawn, campeã do ano anterior. Com a experiência de quatro anos correndo pela Williams e títulos nas categorias de acesso, ele acreditava que estava pronto para liderar um time grande. Mas não foi bem assim.

"Eu estava pensando que poderia liderar aquela equipe quando o Ross me ligou dizendo que meu companheiro não seria o Button ou o Heidfeld como se especulava, mas sim o Michael. Não foi um bom momento", contou Rosberg em entrevista concedida a David Coulthard e publicada no site oficial da F1. "Na época o nome dele nem era cotado, ninguém falava nessa possibilidade. Passei a ter todo tipo de pensamento, tipo 'não vou ter chance', 'a equipe toda vai estar contra mim', Michael seria um manipulador, coisas do tipo. Ele é o maior de todos os tempos, então eu pensava 'será que eu tenho qualquer chance contra ele?'"

Na época, Schumacher surpreendeu ao anunciar seu retorno à Fórmula 1 quatro anos após sua primeira aposentadoria. Até hoje, o alemão é o maior vencedor da história, com 91 vitórias e sete títulos mundiais. Ele teve dificuldades, contudo, para se adaptar no retorno, e Rosberg o superou de forma consistente desde o início de sua primeira temporada juntos. Mas, nos bastidores, o campeão de 2016 lembra que foi mais difícil ganhar a atenção do time.

"Quando o Michael chegou, ele era tratado como um deus dentro da equipe. Até a minha estratégia era discutida com ele, e não comigo, mesmo que eu estivesse sentado na frente deles! Quando eu discuti isso na equipe e mostrei minha vulnerabilidade, as reuniões passaram a ser muito melhores e eu passei a ter muito mais confiança."

Nestas reuniões, Schumacher, que na época já passava dos 40 anos, mas que sempre manteve o físico em dia, usava até a boa forma como arma de intimidação. "Ele gostava de ir para as reuniões sem camisa para mostrar o abdômen tanquinho. Era uma demonstração de força, para impressionar todo mundo. E era isso o tempo todo."

Outra passagem curiosa relevada por Rosberg aconteceu momentos antes da classificação no GP de Mônaco. "Michael é um guerreiro das batalhas psicológicas. Aprendi muito com ele. Não é algo que ele tem de se esforçar para fazer, é natural. Cinco minutos para começar a classificação e só tem um banheiro no box. Ele sabia que eu estava esperando do lado de fora porque eu batia e gritava desesperado para quem estivesse lá sair porque eu estava entrando em pânico, já que a sessão ia começar e eu precisava ir no banheiro. Com um minuto para começar, ele sai do banheiro como se nada estivesse acontecendo e fala, super calmo, 'ah, desculpa, não sabia que você estava esperando'".

No final das contas, Rosberg bateu Schumacher nos três campeonatos em que os dois estiveram juntos na Mercedes, sendo que em 2010 e 2012 fez perto do dobro dos pontos do companheiro. Schumacher se aposentou definitivamente e acabou sofrendo um grave acidente de esqui no final de 2013. Até hoje, pouco se sabe sobre seu estado de saúde.

Quanto a Rosberg, seu projeto de liderar a Mercedes foi mais uma vez frustrado quando o time contratou Lewis Hamilton para o lugar o heptacampeão. Ainda assim, ele conseguiu superar o inglês em 2016, foi campeão do mundo, e logo depois anunciou a aposentadoria.

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