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Como Toleman, Tyrrell, Jordan e Minardi ainda estão 'vivas' no grid da F1

Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

02/05/2020 12h00

A Force India virou Racing Point e a partir de 2021 vai chamar Aston Martin. E a Toro Rosso, que já foi Minardi um dia, virou AlphaTauri. Esse tipo de mudança de nome, que na maioria das vezes vem acompanhada de um novo dono e um caminhão de dinheiro, se tornou comum nas últimas décadas da Fórmula 1: seis das dez equipes não usam mais seus nomes originais, o que significa que Tyrrell, Jordan, Minardi, Stewart e até a Toleman continuam, de certa forma, fazendo parte do grid.

Entre os times que foram trocando de mãos ao longo dos anos, o que tem a origem mais antiga é justamente o mais vencedor da atualidade: a história da equipe Mercedes começa com a Tyrrell, formada em 1958 (primeiramente correndo em categorias menores, e chegando à F-1 10 anos depois) por um dos mais lendários chefes de equipe da história da Fórmula 1, Ken Tyrrell, e dona de três títulos de pilotos, com Jackie Stewart, em 1969 (quando Tyrrell ainda estava em parceria com a Matra, que dava nome à equipe), 71 e 73 (com a equipe já tendo o nome Tyrrell).

Ao longo dos anos, a Tyrrell foi se afundando em problemas financeiros, e fez sua despedida da F-1 de maneira melancólica, com Ricardo Rosset sequer se classificando para o GP do Japão de 1998 e Toranosuke Takagi abandonando após colisão com a Minardi de Esteban Tuero.

Mas o time já tinha sido comprado pela British American Tobacco no ano anterior, tornando-se a BAR a partir de 1999. Foi a BAR que comprou as propriedades da Reynard (fabricante de chassis) em Brackley, na Inglaterra, em fábrica que é usada até hoje pela Mercedes. O time chegou a ter dois quintos lugares, em 2000 e 2003, e foi contando com cada vez mais investimentos da Honda até que os japoneses assumiram o controle acionário em 2004, ano em que Jenson Button conquistou vários pódios e a equipe foi vice-campeã.

Em 2006, o time passou a se chamar Honda e recebeu um enorme investimento da montadora japonesa. Porém, os resultados não foram compatíveis e, com a crise financeira de 2008, a Honda decidiu deixar a F-1.

Quem já estava no time era Ross Brawn, que sabia que seus engenheiros tinham encontrado uma saída para driblar a perda de 60% da pressão aerodinâmica que o regulamento do ano seguinte, 2009, tentava impor. Ele, então, pagou um dólar pelo espólio do time, garantiu que a Honda pagaria os custos do ano seguinte, ganhou os títulos de 2009, vendeu suas ações para a Mercedes por 200 milhões de dólares e ainda permaneceu como chefe da equipe até 2013. A partir de 2014, a Mercedes venceu todos os títulos da Fórmula 1.

Apenas a Ferrari, que está no grid desde o início da F-1, em 1950, e a McLaren, desde 1966, são mais antigas que a linhagem da atual Mercedes, ainda que a marca alemã tenha competido na década de 1950, inclusive ganhando títulos. Outra equipe que nunca mudou de nome - e sequer de dono - é a Williams, que está no grid desde 1977. E a Haas é a caçula do grid, tendo entrado em 2016.

Minardi e Toleman ainda estão no grid

Outro time 'das antigas' que, de certa forma, ainda está no grid é a Minardi. Criada em 1979, a equipe italiana passou a competir na F-1 em 1985 até ser comprada pela Red Bull, que a rebatizou como Toro Rosso, em 2006, mantendo a fábrica em Faenza. Como Toro Rosso, o time chegou a ganhar corrida em 2008, com Sebastian Vettel, e, neste ano, se tornou AlphaTauri (nome da marca de roupas da Red Bull).

A Toleman, equipe pela qual Ayrton Senna estreou na F-1, mudou de mãos várias vezes e hoje é a Renault - pela segunda vez. O time chegou à F-1 em 1981 e foi comprado no final de 1985 pela família Benetton, que deu seu nome ao projeto até a temporada 2001, tendo conquistado dois títulos com Michael Schumacher em 1994 e 1995. A partir de 2002, o time passou a estar sob o controle da Renault, conquistando dois outros títulos, em 2005 e 2006, com Fernando Alonso. Também afetada pela crise de 2008, a montadora francesa vendeu, em 2010, grande parte das ações do time para a Genii Capital, grupo de investimento de Luxemburgo que entrou em acordo com a Lotus Cars e o time passou a se chamar Lotus (sem nenhuma relação com o lendário Team Lotus, estabelecido por Colin Chapman em 1954 e detentor de sete títulos de equipes e seis de pilotos). A equipe até chegou a vencer corrida, com Kimi Raikkonen, mas passou a enfrentar dificuldades financeiras e voltou às mãos da montadora francesa, que pagou uma libra, pouco mais de um dólar, para retomar o controle em 2015.

Fundada em 1993, a Sauber foi vendida para a BMW em 2006 e, com o investimento da montadora, cresceu e chegou a vencer corrida em 2008, com Robert Kubica. O ex-dono, Peter Sauber, retomou o controle em 2010, também após a crise financeira, para depois vender a maior parte das ações para um grupo de investimento controlado por suecos. O time, hoje, conta com o patrocínio da Alfa Romeo, que lhe dará nome até, pelo menos, o final do ano que vem.

As duas primeiras equipes de Rubens Barrichello na F-1 também seguem no grid com nomes e cores diferentes. A Stewart foi formada pelo tricampeão Jackie Stewart e seu filho, Paul, em 1996, e chegou a vencer corrida com Johnny Herbert. O time foi vendido para a Ford e, no final de 1999, a marca resolveu promover sua marca Jaguar, renomeando-o. O projeto naufragou e a Ford acabou vendendo o espólio em 2004 para a Red Bull. Seis anos de um pesado investimento depois, o time conquistaria o primeiro de seus quatro títulos.

O outro ex-time de Rubinho que é ainda está no grid é a Jordan. Formada por Eddie Jordan em 1991, a equipe foi vendida várias vezes, mas sempre mantendo a fábrica em Silverstone: primeiro o time se tornou Midland em 2006, Spyker em 2007 e depois foi adquirido pelo indiano Vijay Mallya e virou Force India. O time entrou em falência no meio de 2018 e foi comprado pelo bilionário canadense Lawrence Stroll, e ganhou o nome de Racing Point. Stroll também assumiu o controle acionário da montadora britânica Aston Martin, e com isso a ex-Jordan mudará de nome novamente ano que vem.

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do informado, a Racing Point vai se chamar Aston Martin a partir de 2021. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.