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De motorista de ambulância a novos respiradores: F-1 luta contra o covid-19

Equipamento de CPAP desenvolvido pela Mercedes para ajudar no combate ao coronavírus - James Tye / UCL
Equipamento de CPAP desenvolvido pela Mercedes para ajudar no combate ao coronavírus Imagem: James Tye / UCL
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

24/04/2020 12h00

Baseadas na Europa, as fábricas das equipes de Fórmula 1 estão atualmente com a grande maioria de suas atividades parada, pelo menos até o começo de maio, seguindo as determinações governamentais em relação ao coronavírus. Paralelamente a isso, a própria Federação Internacional de Automobilismo determinou que o período de fechamento obrigatório, que geralmente é em agosto, fosse transferido para março e abril, em uma das manobras para tentar deixar o calendário o mais aberto possível para um retorno às pistas no segundo semestre.

Mas engana-se quem pensa que a categoria está tentando apenas driblar o coronavírus. Os times, pilotos e até promotores de GP estão ajudando no combate ao vírus como podem. Desde que os engenheiros das equipes se reuniram no que foi batizado de Projeto Pitlane para ajudar no desenvolvimento de respiradores mais baratos e eficientes para os hospitais, ainda em março, muito foi feito por profissionais ligados à categoria.

Engenheiros de Mercedes e Ferrari projetam ventiladores melhores

Esta era a forma mais óbvia com que a Fórmula 1 poderia colaborar e foi um projeto iniciado assim que os times voltaram da tentativa frustrada de iniciar a temporada na Austrália em meados de março: usar engenheiros altamente capacitados para desenvolver um ventilador acessível. Os profissionais da Mercedes se juntaram ao hospital UCL, da Inglaterra, para rever a engenharia do CPAP a fim de aumentar sua capacidade de ser produzido em escalas maiores. O projeto foi finalizado e aprovado pelo governo britânico em menos de 10 dias e pode ser baixado de maneira gratuita neste link.

Na Itália, a Ferrari também entrou em um pool de empresas responsáveis por emprestar sua expertise em diversas áreas. À Scuderia coube produzir as válvulas para os respiradores, usando as impressoras 3D da fábrica em Maranello. A família Agnelli, que comanda a Ferrari e a Fiat, fez uma doação de 10 milhões de euros, equivalente a quase 60 milhões de reais, para ajudar a conter a pandemia.

Corridas online beneficentes, inclusive entre os brasileiros

Liderados por Charles Leclerc, vários pilotos da Fórmula 1, incluindo o brasileiro reserva da equipe Haas, Pietro Fittipaldi, se uniram numa série de três corridas virtuais visando arrecadar 100 mil dólares para o órgão de solidariedade da OMS voltado ao coronavírus. Eles chegaram perto: mais de 70 mil dólares (387 mil reais) foram arrecadados. Além de Fittipaldi e Leclerc, participaram da ação Alex Albon, George Russell, Lando Norris, Antonio Giovinazzi, e até o goleiro Thibaut Courtois participou.

Os pilotos brasileiros também se juntaram para fazerem um mini campeonato online beneficente, em ideia que surgiu do irmão de Pietro, Enzo Fittipaldi, e de Dudu Barrichello, filho de Rubens. Os dois jovens pilotos montaram um timaço, com os ex-F-1 Rubinho, Felipe Massa e Felipe Nasr. Eles já fizeram três corridas até aqui no que foi batizado de "Desafio Virtual das Estrelas" e as duas próximas serão dia 29 de abril e 6 de maio, com transmissão pelo YouTube. As doações podem ser feitas diretamente no canal da Fiocruz e da USP.

Chefe da Pirelli vira motorista de ambulância na Itália

Isola ambulância - Divulgação - Divulgação
Mario Isola trocou o uniforme da Pirelli pelo de motorista de ambulância durante a pandemia
Imagem: Divulgação

O chefe da Pirelli na Fórmula 1, Mario Isola, costuma usar as horas vagas entre um GP e outro para ser voluntário como motorista de ambulância na Itália. Com a temporada da Fórmula 1 parada e justamente a região em que mora, na Lombardia, sendo duramente castigada pelo coronavírus, Isola não se deixou intimidar pelo perigo de contágio e dedicou "todo tempo possível" ao voluntariado ao volante da ambulância. A empresa também desistiu, apenas pela segunda vez em sua história, de publicar seu famoso calendário e destinou 100 mil euros (perto de 600 mil reais) que estavam no orçamento das fotos para doações.

Promotores dos GPs do México e Bahrein ajudam de formas diferentes

Até os promotores de corridas encontraram formas de ajudar no combate ao covid-19. No México, o grupo CIE, que organiza a prova por lá, disponibilizou o maior centro de convenções da capital Cidade do México para receber pacientes com coronavírus no caso do sistema de saúde nacional não conseguir atender a demanda. A unidade médica temporária pode oferecer quase 900 camas para infectados. E no Bahrein, engenheiros ligados ao circuito local desenharam um aparelho que ajuda pacientes internados, mas que não estão na UTI, a respirarem melhor.

Ex-chefe de equipe doa refeições para profissionais de saúde

O dirigente da época mais vencedora da McLaren, Ron Dennis, usou a estrutura de suas companhias - uma delas é um buffet para eventos de alto padrão - para organizar a distribuição de mil refeições por dia para profissionais que trabalham no sistema público de saúde do Reino Unido, a NHS. O orçamento total da ação é de mais de 10 milhões de reais.

Os dirigentes da Fórmula 1 chegaram nesta semana a um acordo para iniciar a temporada com duas corridas na Áustria em julho sem fãs e com uma operação cheia de cuidados devido ao coronavírus. A decisão final agora está nas mãos dos governantes locais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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