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F-1 define plano para iniciar temporada em julho com dois GPs sem público

Vista aérea do circuito de Red Bull Ring - Matthias Heschl/Red Bull Content Pool
Vista aérea do circuito de Red Bull Ring Imagem: Matthias Heschl/Red Bull Content Pool
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

22/04/2020 15h00

A temporada da Fórmula 1 deve começar com duas provas na Áustria, nos dias 5 e 12 de julho, sem público e com toda uma operação especial para tentar driblar o coronavírus. O UOL Esporte apurou que o plano foi detalhado em reunião virtual dos gerentes das equipes e dos detentores dos direitos comerciais da categoria nesta quarta-feira (22), na qual ficou decidido seguir adiante com os planos de começar o campeonato no circuito de Red Bull Ring. O evento será coberto de precauções para evitar a exposição dos profissionais da categoria e da população local ao vírus e depende da liberação do governo austríaco e de que a situação na Europa não se deteriore nos próximos meses. O restante do calendário deve ser anunciado na próxima semana, ainda que vários pontos sigam em aberto.

O plano é que, no máximo, 1000 profissionais participem do evento, o que representa cerca de um quarto do número de pessoas que normalmente se deslocam para as provas ao redor do mundo. E todos eles serão testados para que a categoria se certifique de que não está carregando consigo o coronavírus.

Ainda assim, estes profissionais teriam seu trajeto restrito do hotel para a pista, como se estivessem em quarentena. Eles vão permanecer neste esquema nos arredores do Red Bull Ring por cerca de duas semanas para que as duas provas, em finais de semana seguidos, sejam realizadas. Ambas usariam o mesmo traçado, uma vez que correr no sentido contrário traria a necessidade de fazer alterações significativas nas áreas de escape.

Metade destas pessoas serão os membros das equipes - com o limite de 45 por time, excluindo-se os pilotos - e o restante se divide entre os profissionais de logística, de fornecedores, da Federação Internacional de Automobilismo, e os responsáveis pela geração das imagens. A presença da imprensa, a princípio, não será permitida. A avaliação da F-1 é que, com todos esses planos de contingência em ação, as autoridades vão permitir que o projeto siga adiante.

Mas há ainda algumas questões em aberto: a opção de iniciar o campeonato na Europa se deu pelo fato do transporte dos equipamentos ser feito por terra, então a F-1 conta com a abertura de países que estão atualmente fechados para tráfego estrangeiro, como a França. E não foi definido como será o transporte dos funcionários, ainda que o mais provável é que a própria categoria organize voos fretados para as proximidades do circuito de Red Bull Ring.

A escolha pelo traçado austríaco para iniciar a temporada não é por acaso: a pista é localizada em uma área de pouca densidade populacional na região da Estíria, e há vários hotéis nas redondezas que são de propriedade do dono da Red Bull, Dietrich Mateschitz. A empresa, que controla duas equipes no grid da Fórmula 1 - Red Bull e AlphaTauri - vem pressionando para a realização da prova, e também tem interesse em absorver as perdas decorrentes da falta de público para dar visibilidade a sua marca. Além disso, a Áustria foi um dos primeiros países europeus a iniciar a saída da quarentena, nesta semana, por acreditar que já passou pela pior fase da epidemia do Covid-19, tendo visto uma queda significativa na ocupação das UTIs.

E depois da Áustria?

O projeto da Fórmula 1 é seguir para a Inglaterra depois da rodada dupla na Áustria, com duas ou até três corridas em Silverstone. Correr no circuito que fica a, no máximo, 90 minutos das fábricas de sete das dez equipes do grid faria sentido, mas há a preocupação a respeito da situação inglesa em julho. O país ainda não saiu da fase mais aguda da epidemia do Covid-19 e o governo acaba de prorrogar, por tempo indeterminado, o período de quarentena, em que apenas serviços essenciais estão autorizados a funcionar.

O Reino Unido, no entanto, está começando a observar uma queda na curva de mortes, e espera-se que a quarentena acabe durante o mês de maio.

O UOL Esporte apurou que o plano da Fórmula 1 no momento é abrir a possibilidade de realizar outras rodadas duplas no decorrer da temporada, podendo chegar a até 20 provas no ano. O número mínimo com o qual a Liberty Media, que detém os direitos comerciais da categoria, trabalha é de 15 provas, a fim de evitar perdas com os contratos de TV. Outros países que já concordaram em receber GPs neste ano são Azerbaijão, China e Vietnã, em provas que aconteceriam depois da "perna" europeia.

Sem saber como será a situação dos voos ao longo do ano, o caminho mais óbvio é seguir buscando opções dentro da Europa. A Hungria já teria dado o ok para receber a categoria em agosto. Os organizadores do GP da Espanha, uma das provas que foram adiadas, já divulgaram que estariam dispostos a receber uma rodada dupla contando que houvesse uma renegociação dos custos envolvidos, uma vez que, sem torcida, o evento também não injeta dinheiro diretamente na economia. É a mesma situação do GP da Itália em Monza, marcado para setembro. No país mais atingido pelo coronavírus no Velho Continente, há a possibilidade, ainda, de realizar a prova em Imola, depois que os administradores do circuito ofereceram à F-1 esta possibilidade. E outro circuito que não está no calendário, mas que foi oferecido pelos administradores é o de Algarve, em Portugal.

Por trás dessa "chuva" de ofertas, entretanto, está o interesse econômico: a ideia dos administradores das pistas é que a Liberty Media alugue os circuitos, o que pressionaria ainda mais as contas da empresa em um ano que já será economicamente complicado. E, quanto mais a Liberty gastar na temporada, menos será repassado às equipes.

Em um cenário de tantas incertezas por conta da evolução da pandemia, o calendário que será publicado na próxima semana deve ter datas provisórias. Na semana passada, a F-1 já havia divulgado que o calendário anterior "sofreria mudanças significativas", o que fez com que os organizadores do GP Brasil recuassem com o plano de iniciar as vendas de ingressos ainda neste mês.

A temporada da Fórmula 1 deveria ter começado em março, mas até o momento o campeonato teve as etapas da Austrália e de Mônaco canceladas e outras sete adiadas. Delas, a próxima que deve ter o cancelamento definitivo confirmado é a etapa do Canadá. O GP da França segue marcado para dia 28 de junho, mas a dúvida no momento é se a etapa seria cancelada diretamente ou apenas adiada.

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