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GPs mais curtos e corridas em janeiro: como será a F-1 pós-coronoravírus?

Até o momento, GP do Canadá seria o primeiro da temporada, em junho - Mathias Kniepeiss/Getty Images
Até o momento, GP do Canadá seria o primeiro da temporada, em junho Imagem: Mathias Kniepeiss/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

06/04/2020 04h00

"Vamos começar a temporada em algum ponto durante o verão (do hemisfério norte) e temos o objetivo de fazer entre 15 e 18 etapas". A declaração do CEO da Fórmula 1, Chase Carey, de duas semanas atrás, é basicamente o que se sabe sobre o calendário da categoria neste ano. Dois GPs, na Austrália e em Mônaco, já foram cancelados devido à pandemia e outros seis (Bahrein, Vietnã, China, Holanda, Espanha e Azerbaijão) foram adiados, mas não têm data marcada para acontecer. Para piorar, a cada dia parece mais plausível que outras corridas sigam o mesmo caminho, e a F-1 começa a cogitar iniciar sua temporada somente em agosto. Como, então, será possível acomodar tantas provas no calendário?

Realizar o máximo de provas possível é a prioridade da categoria por motivos financeiros. Ainda que os promotores paguem adiantado, é muito provável que as corridas que não forem realizadas por um motivo que pode ser classificado como de força maior devem ficar isentas em 2021, ou seja, a perda daquela que é a maior receita do esporte é certa. E, do lado dos promotores, é impossível reaver esse dinheiro e manter o evento vivo sem a venda de ingressos, gerando uma espiral negativa.

Não por acaso, a F-1 e as equipes estão estudando como encaixar as corridas, e já ficou decidido que a tradicional parada no mês de agosto, por duas semanas, não será respeitada. Porém, se a temporada realmente começar em agosto, são apenas 22 finais de semana até o final do ano, e seria impossível realizar as 18 etapas - e até muito improvável fazer as 15 que Carey colocou como número mínimo.

GPs em janeiro

Para o campeonato ser válido, é preciso ter pelo menos oito etapas, e esta deve ser a base com que a categoria terá de trabalhar. E, em termos de datas, discute-se ir até o início de fevereiro de 2021, e o caminho já foi aberto para tanto: o regulamento que entraria em vigor ano que vem já ficou para 2022 e pode até ser adiado por mais tempo, como disse recentemente o chefe da Red Bull, Christian Horner. Ou seja, os carros serão basicamente os mesmos deste ano, então não haveria problemas em parar por apenas um mês e começar a temporada 2021 em março, como de costume.

Ainda assim, estamos falando em menos de 30 finais de semana. A saída que está sendo estudada é mudar o formato das corridas para deixá-las mais enxutas (com dois dias de atividades ao invés de 3) e agrupá-las por região por questões logísticas, ainda que os organizadores não gostem muito da ideia porque julgam que isso prejudica a venda de ingressos.

Isso permitiria, por exemplo, que o GP do Bahrein fosse realocado em data próxima do GP de Abu Dhabi, ou que a prova da China aconteça em outubro, junto do Japão, Rússia e Singapura.

Mas há um porém: os pneus de F-1 não são projetados para o frio e na grande maioria dos palcos das etapas, isso limita as datas possíveis. Não é possível, por exemplo, correr em nenhuma das pistas europeias em dezembro e janeiro, assim como na Rússia, China, Japão, Canadá ou Estados Unidos. Assim, por mais que Carey, pelo menos oficialmente, não tenha desistido de seu número inicial de 15 a 18 GPs, mesmo com toda a vontade das equipes de mudar o regulamento, vai ser difícil encaixá-las caso a previsão de início em agosto se confirme.

Início em agosto?

Tal previsão ganhou força nesta semana, com o cancelamento de Wimbledon. O torneio de tênis disputado em Londres terminaria na mesma data do GP da Grã-Bretanha, em 19 de julho. Embora digam que a logística para a corrida de Silverstone seja diferente, os organizadores da prova britânica admitem a possibilidade de ter de adiar o evento e tomarão uma decisão até o final do mês.

A primeira prova ainda programada é o GP do Canadá, em meados de junho, e os organizadores disseram que teriam novidades na semana que vem. Com a piora da situação nos Estados Unidos, no entanto, é pouco provável que o país reabra suas fronteiras tão logo.

As provas seguintes seriam na França, no final de junho, e na Áustria, no começo de julho. Mas enquanto os equipamentos sequer puderem deixar as fábricas das equipes, como é o cenário atual, é difícil fazer qualquer prognóstico. Os franceses também disseram que vão esperar até o final de abril para tomar uma decisão.

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