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F-1 faz a diferença em criação de respirador para pacientes com covid-19

Fábrica da equipe Mercedes de Fórmula 1 - Divulgação
Fábrica da equipe Mercedes de Fórmula 1 Imagem: Divulgação
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

30/03/2020 08h01

Engenheiros da equipe Mercedes de Fórmula 1 e clínicos do hospital UCL, na Inglaterra, desenvolveram um modelo de respirador que foi aprovado pelas autoridades britânicas e vai ajudar na batalha contra o coronavírus.

Desde 18 de março, os engenheiros da Mercedes HPP estavam trabalhando para desenvolver um ventilador do tipo CPAP (sigla em inglês para pressão aérea positiva contínua), que ajuda pacientes mais severos com coronavírus, cujo sintoma inicial mais grave é a falta de ar. Tal sintoma é fruto da infecção pulmonar severa causada pelo covid-19. Com ventiladores do tipo CPAP, no entanto, é possível ajudar na respiração do paciente sem intervenções invasivas. A falta de equipamentos como este tem sido um dos grandes problemas enfrentados por hospitais na Europa e nos Estados Unidos, que concentram o maior número de mortes no momento.

O trabalho dos engenheiros da Mercedes foi rever a engenharia do CPAP para aumentar sua capacidade de ser produzido em escalas maiores. O projeto revisado foi aprovado agora pelos órgãos britânicos e pode começar a ser manufaturado.

De acordo com os envolvidos no projeto, tudo foi feito em menos de 100 horas desde a primeira reunião, mostrando como os processos de engenharia da F-1 podem ser úteis pela agilidade e precisão com que as peças dos carros são constantemente desenvolvidas.

O diretor da divisão de motores da Mercedes, Andy Cowell, salientou a importância da ajuda que a Fórmula 1 está dando ao governo britânico depois do chamado para que empresas de engenharia ajudassem a criar saídas para melhorar a luta contra o coronavírus. "A comunidade da F-1 tem demonstrado uma resposta impressionante ao chamado, com o "projeto pitlane", que vem cuidando de diversos projetos neste período de necessidade. Temos orgulhosamente colocado nossos recursos a serviço das entidades para que este projeto do CPAP tivesse o padrão mais alto possível e fosse terminado também o mais rapidamente possível.

Tim Baker, do departamento de engenharia mecânica do hospital UCL explicou que, com a ajuda da engenharia geralmente aplicada à F-1, "foi possível diminuir o tempo de desenvolvimento que levaria anos para uma questão de dias. Trabalhamos 24h por dia, primeiro desmontando o equipamento usado nos hospitais e analisando seu funcionamento. Usando simulações feitas em computadores, melhoramos o equipamento e criamos uma versão que pode ser produzida em massa. Tivemos o privilégio de contar com a capacidade de engenharia da F-1."

Além da Mercedes, o chamado Projeto Pitlane conta ainda com Red Bull, Racing Point, Haas, McLaren, Renault e Williams. Enquanto isso, na Itália, a Ferrari também tem colaborado com projetos do mesmo tipo, no país com mais fatalidades por covid-19 no mundo.

A maioria das equipes de Fórmula 1 está com suas atividades parada neste momento, respeitando um período de três semanas em que param seu funcionamento. Esta pausa geralmente é de duas semanas e ocorre em agosto, mas foi ajustada devido ao coronavírus, em uma das medidas para diminuir os gastos e tentar realizar o maior número possível de etapas do longo do ano. O campeonato estava previsto para começar em março, mas as etapas foram canceladas ou adiadas até meados de junho e é possível que outras corridas sigam o mesmo caminho, deixando a temporada sem data oficial para começar no momento.

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