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Temporada da Fórmula 1 fica sem data para começar devido ao coronavírus

Campeonato da Fórmula 1 não tem data para começar - Clive Mason/Getty Images/AFP
Campeonato da Fórmula 1 não tem data para começar Imagem: Clive Mason/Getty Images/AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

13/03/2020 04h00

O agravamento da pandemia do coronavírus pode fazer com que a temporada da Fórmula 1 comece apenas em junho. Depois do cancelamento da etapa de abertura do campeonato apenas três horas antes dos carros irem para a pista na Austrália, nesta sexta-feira, a expectativa é de que as duas etapas seguintes, do Bahrein e do Vietnã, sejam as próximas a serem, no mínimo, adiadas. E, como a tendência na Europa tem sido proibir aglomerações, as etapas de maio - Holanda, Espanha e Mônaco - também estão sendo colocadas em dúvida.

O CEO da Fórmula 1, Chase Carey, preferiu não se adiantar em relação às próximas etapas. O norte-americano explicou que a rapidez com que o cenário da pandemia está se movimentando dificulta pensar a longo prazo.

"Neste momento, nosso foco é lidar com os problemas que apareceram na Austrália. Acabei de voltar de uma viagem ao Vietnã e estamos discutindo com nossos parceiros das próximas corridas e vamos lidar com isso nos próximos dias. É uma situação muito difícil de se prever. A situação é fluida. A situação atual é diferente do que acontecia há dois, quatro dias. É desafiador fazer previsões em um cenário como este."

A Fórmula 1 estava pronta para realizar sua etapa de abertura da temporada, na Austrália, quando a etapa foi cancelada três horas antes dos carros irem à pista para os primeiros treinos livres. Os fãs, inclusive, já estavam esperando do lado de fora dos portões e não puderam entrar.

Carey explicou que a mudança de planos aconteceu devido à piora da situação nos últimos dias, combinada com o primeiro caso detectado dentro do paddock da F-1, de um funcionário da McLaren, e de outros suspeitos.

"Um cumulativo de fatos levou a essa decisão. Claro que o fato do profissional da McLaren ter sido infectado influiu, mas também há o cenário mundial. Por exemplo, há 24h você podia voar dos Europa para os Estados Unidos, mas agora não podem. E também o fato de várias pessoas estarem sendo testadas aqui demonstrou que a situação era diferente do que ocorria no domingo, quando houve um evento com quase 100.000 pessoas", disse o dirigente, referindo-se a uma partida de críquete que reuniu 86.000 pessoas em Melbourne no último final de semana.

O cancelamento acabou vindo depois das próprias equipes, que até então mantinham certa distância das decisões em relação ao campeonato, cobrarem diretamente os organizadores. Na manhã desta sexta-feira, apenas três times (Red Bull, AlphaTauri e Racing Point) estavam dispostos a ir para a pista, e alguns, como a McLaren e a Renault, já se preparavam para ir embora. Os pilotos Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen também já haviam deixado Melbourne.

No que depender das equipes, o mesmo vai acontecer em relação à segunda etapa, marcada para o Bahrein, dia 22 de março. Os organizadores do evento já tinham anunciado que a corrida seria disputada sem público, mas agora é grande a pressão pelo cancelamento ou adiamento, especialmente porque muitas equipes devem ser forçadas a manterem seus funcionários em isolamento nos próximos 14 dias devido à exposição ao vírus no paddock em Melbourne.

No caso do Vietnã, que receberia a terceira etapa, dia 5 de abril, a viagem mencionada por Carey teria selado o cancelamento da prova e o anúncio é esperado para os próximos dias. A quarta etapa, da China, que seria dia 19 de abril, já foi adiada e não tem data para acontecer.

As corridas seguintes seriam na Europa: GP da Holanda dia 3 de maio; Espanha dia 10 de maio e Mônaco dia 24 de maio.

Na Holanda, o governo determinou na última quinta-feira que todos os eventos esportivos que reúnam mais que 100 pessoas sejam cancelados pelo menos até dia 31 de março. Já na Espanha, um dos países europeus mais atingidos pelo coronavírus, há restrições para eventos com mais de 1000 pessoas pelo menos até o final deste mês, assim como para voos vindos da Itália. A doença também chegou a Mônaco, que fica na fronteira entre dois países fortemente afetados na Europa: França e Itália.

Por conta disso, a expectativa nos bastidores da Fórmula 1 é que o campeonato só comece no que seria a sexta etapa, no Azerbaijão, país que só tem 11 infectados até o momento. Todos eles vieram do Iran, que é um dos países mais afetados do mundo.

Porém, como o exemplo da Austrália mostrou, a tendência é que a Fórmula 1 aguarde a evolução da situação antes de tomar uma decisão definitiva para as provas a partir de maio. Em relação a possíveis novas datas, há a possibilidade do mês de agosto, que geralmente é de férias para a categoria, seja usado para acomodar algumas provas.