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Mercedes bate recorde, e Ferrari admite que carro não rende o esperado

Charles Leclerc, da Ferrari, durante os testes da pré-temporada da F-1 - Ferrari
Charles Leclerc, da Ferrari, durante os testes da pré-temporada da F-1 Imagem: Ferrari
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

21/02/2020 12h36

Depois de dominar os testes de pré-temporada do ano passado, a Ferrari está adotando uma atitude até pessimista para o início do campeonato deste ano da Fórmula 1. No terceiro dia de testes coletivos realizados no Circuito da Catalunha, na Espanha, o chefe da Scuderia, Mattia Binotto, disse que seu carro "não é tão veloz quanto Mercedes e Red Bull no momento".

De fato, a Ferrari está longe dos melhores tempos até aqui: Charles Leclerc foi o 11º no primeiro dia e Sebastian Vettel foi o sexto no segundo. Nesta sexta-feira, ele não entrou sequer no top 10. Mas também é justo dizer que a Red Bull também ainda não mostrou a que veio. A diferença é que Max Verstappen se mostrou bastante tranquilo em relação ao comportamento do carro, que parece "mais conectado do que ano passado e fácil de pilotar; e também não posso reclamar do número de voltas" disse o holandês, que completou o equivalente a quase cinco GPs da Espanha em três períodos com o carro. Ele fechou sua participação na primeira semana de testes com um tempo 1s8 mais lento que a Mercedes mas, a julgar pelo comportamento do carro na pista, a diferença é muito menor do que isso.

Isso porque, mesmo ainda não buscando performance, a Red Bull é um dos carros mais equilibrados, juntamente com a Mercedes, que hoje mostrou suas garras, com Valtteri Bottas registrando um novo recorde para testes na pista de Barcelona ao virar em 1min15s732 nesta sexta-feira. A exemplo do que tinha acontecido com Lewis Hamilton ontem, Bottas também testou o chamado DAS, novidade da Mercedes que vem dando o que falar nesta semana.

Do lado da Ferrari, além do carro claramente não ter o mesmo equilíbrio na pista, também houve problemas. Vettel perdeu tempo no terceiro dia de testes devido à queda de motor e, enquanto Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, por exemplo, já somava 119 voltas no dia, o alemão não tinha passado de 58.

Desde o início dos testes, os pilotos da Ferrari vinham explicando que o foco do time é entender as possibilidades de acerto do carro, algo que foi uma das grandes dificuldades no ano passado. Como a Ferrari funcionava só em uma janela muito pequena, seu desempenho tinha altos e baixos dependendo das configurações das pistas e também tornava difícil a adaptação dos pilotos, que têm estilos de pilotagem muito diferentes entre si. Para este ano, o foco foi tornar o carro mais flexível e usar o início dos testes para explorar todas as possibilidades. "Queremos conhecer bem esse carro antes de pensar em performance. Precisamos que ele seja mais flexível para que cada um possa adaptá-lo ao seu estilo", explicou Leclerc após o primeiro dia no carro. "O carro tem mais pressão aerodinâmica em relação ao ano passado", testemunhou Vettel no dia seguinte, mas sem o mesmo sorriso que tinha no rosto depois do primeiro dia de testes do ano passado, quando chegou a dizer que tratava-se do melhor dia inicial de testes que ele já tinha vivido.

Mas foi o chefe Mattia Binotto quem jogou o balde de água fria: "Ano passado é verdade que estávamos mais otimistas nesse mesmo estágio porque estava fácil virar tempos rápidos mesmo não focando em performance, e desta vez parece ser um pouco mais difícil. Mas não podemos esquecer o que aconteceu ano passado [quando a Ferrari foi muito bem no teste, mas acabou tendo um resultado ruim na primeira corrida e a falta de adaptabilidade do carro ficou clara]. Vamos esperar até a semana que vem e também esperar o GP da Austrália para entender melhor o cenário. Mas os outros estão mais rápidos do que nós no momento. O quão mais rápidos, ainda não sabemos."

Binotto explicou ainda que a Ferrari não vai modificar muito seu carro ano na próxima semana e não tem um grande pacote de mudanças preparado também para a primeira corrida da temporada, que será disputada dia 15 de março, mas confia no poder de reação ferrarista ao longo do ano. "Temos que lembrar que não é um campeonato de apenas uma corrida, mas sim de 22."

Faltam mais três dias de testes na pré-temporada da Fórmula 1. Eles serão realizados entre quarta e sexta-feira da semana que vem, também no Circuito da Catalunha.

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