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Mbappé é a superestrela, mas veterano é quem balança a torcida na França

Ontem, por um breve período de tempo, me tornei o que eu mais critico: a pessoa que só volta para o segundo tempo de um jogo com a bola já rolando e deixa aquele buraco feio na arquibancada na volta do intervalo.

Estava ativa não a persona do jornalista esportivo, colunista de olímpicos, mas o fã de esporte que deu a sorte de estar em Metz, no nordeste da França, bem quando a seleção francesa de futebol masculino veio jogar um amistoso aqui com Mbappé, Griezmann e os craques todos.

Já acompanho de perto profissionalmente quarenta e tantas modalidades, então de vez em quanto, no futebol, me permito ser só fã. E ontem foi um desses dias. O departamento de Moselle, que me convidou para vir conhecer o CT onde o vôlei brasileiro vai treinar até 2028, também ofertou entradas VIP para o "clássico" regional.

Luxemburgo, o rival dos franceses no último amistoso antes da Euro, é um país distante de Metz só 60 quilômetros. Menos de uma hora de carro. Mas o futebol das duas seleções é absolutamente incomparável, como sabemos.

O que para mim foi novidade foi a adoração da torcida francesa por Giroud. No primeiro jogo de Mbappé depois de ser anunciado pelo Real Madrid, havia gritos a cada vez que ele tocava na bola, claro. Mas com Giroud é diferente.

Giroud e Griezmann durante amistoso da França contra Luxemburgo
Giroud e Griezmann durante amistoso da França contra Luxemburgo Imagem: REUTERS/Johanna Geron

O maior artilheiro da história da seleção francesa, que começou no banco, teve seu nome gritado pelo menos quatro vezes pela torcida até ser chamado pelo técnico Didier Deschamps, aos 30 minutos do segundo tempo. E, depois que ele entrou, os gritos continuaram, mesmo sem ele (literalmente) pegar na bola.

Os franceses têm uma tradição de o locutor do estádio dizer o primeiro nome (N'Golo) e a torcida responder com o sobrenome (Kanté) na escalação do time, nas substituições, nos anúncios de quem fez o gol, etc. Mas só assim o nome de todos os outros foi cantado pela torcida, que puxou o coro de Giroud antes e depois de ele entrar.

Frisson também quando ele tirou a camisa de aquecimento e ficou de dorso nu na segunda fileira de arquibancadas, onde ficam os bancos de reserva, para depois colocar a camisa de jogo. Para quem não sabe, Giroud é uma espécie de sex symbol na França.

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Já Mbappé levantou a torcida com jogadas de craque. A cada toque na bola sai algo diferente, ainda mais contra a defesa do valente, mas nada talentoso, time de Luxemburgo. Foi dele o cruzamento para o primeiro gol, o passe sem pretensões para Clauss, lateral-esquerdo, fazer um golaço com a direita, e enfim o terceiro gol, depois de jogadaça de Barcola, um pontinha magricela com quem ele jogava no PSG.

No Sofascore, Mbappé levou 10. Já eu vou dar 10 para o open bar de queijo, presunto cru, salmão, champanhe e etc, da área VIP. Agora eu entendo o torcedor que volta mais tarde do intervalo.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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