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Vôlei brasileiro terá base de treinamentos na França até 2028

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o departamento francês de Moselle assinaram nesta terça-feira (4) um convênio renovando até 2028 uma parceria estratégica que permite ao vôlei brasileiro utilizar um centro de treinamento a 15 minutos de Metz durante a temporada de seleções, de maio a agosto.

O centro, o Academos, foi erguido pelo governo da Moselle a um custo de 10 milhões de euros e é equipado com uma academia moderníssima, um ginásio, refeitório, e acomodações para até 39 pessoas concomitantemente.

A seleção sub19 masculina, por exemplo, fica aqui até o dia 13. A CBV paga a viagem dos jogadores e da comissão técnica até a Europa (Paris ou Luxemburgo, que tem o aeroporto internacional mais próximo), Moselle dá o transporte, a estadia e a alimentação.

"O Brasil sempre teve um intercâmbio muito grande na base com as equipes europeias. Com a desvalorização da nossa moeda e o alto custo, ficava caro para a gente manter esse intercâmbio. E com esse convênio com a região de La Moselle, estrategicamente passa a ser nossa base na Europa", explica Radamés Lattari, presidente da CBV.

Serão sete amistosos no total: quatro contra a seleção francesa da categoria, e outros três contra a Bulgária, algo que o Brasil não vinha conseguindo nos últimos anos, treinando em Saquarema (RJ). "A gente só jogava contra a Argentina e contra equipes adultas do Sul e do Sudeste. Agora podemos voltar a fazer intercâmbio", comemora Radamés.

A parceria começou no ano passado, quando quatro seleções de base do Brasil passaram pela Academos, ainda se hospedando em hotel. Agora que os quartos ficaram prontos, o local virou um CT de primeira linha.

De manhã o treino tático é no ginásio do CT e a tarde o trabalho é na Les Arenes de Metz, casa da poderosa equipe feminina de handebol da cidade, semifinalista da Champions League. São 15 minutos de van até lá, oferecida pelo departamento.

Junto com a assinatura do contrato, nesta terça (4), também aconteceu a inauguração oficial de duas quadras quadra de vôlei de praia, construídas pelos franceses após conversas com os brasileiros. A areia é a mesma dos Jogos de Paris, e até a orientação do sol foi pensada para seguir o padrão internacional.

Na semana passada, Evandro e Arthur Lanci, uma das duplas brasileiras que vai à Olimpíada, passou por aqui. Eles haviam jogado em Portugal, têm um torneio esta semana na República Checa, e, ao invés de voltarem ao Brasil, ficaram na Academos.

"Aqui tem tudo que a gente precisa. Se não tem, na hora eles providenciam. Nos receberam muito bem aqui, e está sendo muito importante para a gente poder ficar aqui", comentou Arthur Lanci, em um vídeo exibido durante o evento.

Jackie Silva, campeã olímpica em Atlanta-1996, também ficou encantada com a estrutura. Ela e o ex-levantador Marcelinho, prata olímpico, vieram à França como embaixadores do vôlei brasileiro e participam de ações na Moselle, parte das contrapartidas sociais e culturais que o departamento tem com o convênio.

Antes dos Jogos Olímpicos, a seleção masculina vai treinar aqui. A comissão pediu se os franceses não conseguiram arranjar uma máquina de saque, que custa quase R$ 50 mil, e ela já está no ginásio. Oito novos equipamentos para a academia já estão encomendados, incluindo halteres mais pesados.

O time de Bernardinho também dois amistosos contra a Alemanha (rival a quem venceu por 3 a 0 na madrugada, pela VNL). O primeiro, em Metz, em um centro de convenções - a venda de ingressos e de cotas de publicidade ficam para o departamento. O segundo, na Alemanha, em uma cidade muito próxima de Metz, local de fácil acesso também a Luxemburgo e à Bélgica. Paris está a 1h20 de trem.

"Na última visita do [Emanuel] Macron ao Brasil, o esporte foi agenda dele, porque entendemos que a cooperação esportiva é uma das principais formas de união entre dois países", disse Samuel Ducroquet, embaixador do esporte do Ministério das Relações Internacionais da França, também presente ao evento.

Patrick Weiten, presidente do conselho geral da Moselle (uma espécie de governador), disse que é um prazer ter os brasileiros aqui. "A presença das equipes do Brasil na Academos nos ajuda a atrair mais pessoas para o esporte. Vocês são sempre bem-vindos aqui e a prorrogação dessa parceria vai ajudar muito a Moselle"

O colunista viaja a convite de Moselle

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