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REPORTAGEM

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Brasil conquista resultados históricos no Mundial de Saltos Ornamentais

Rafael Fogaça, dos saltos ornamentais - CBDA/Divulgação
Rafael Fogaça, dos saltos ornamentais Imagem: CBDA/Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

28/06/2022 15h53

O quarto lugar de Ingrid Oliveira, ontem (27), na prova de plataforma feminina do Mundial, muda um pouco as referências sobre onde os brasileiros podem chegar nos saltos ornamentais. Mas o décimo lugar de Rafael Fogaça na plataforma e a nona colocação de Kawan Figueiredo e Isaac Souza Filho na plataforma sincronizada, hoje (28), em Budapeste, são também resultados históricos. Até aqui são quatro finais do Mundial e três participações do Brasil.

Com apenas 18 anos, Rafael igualou a terceira melhor campanha de um brasileiro em Mundial nos saltos ornamentais. Além do quarto lugar de Ingrid ontem, o país tem um quinto lugar de Cesar Castro no trampolim em 2009. E Juliana Veloso foi décima colocada na plataforma no distante Mundial de 2001.

Mais jovem da final em Budapeste, Rafael deixou no ar a sensação de que pode ir ainda além. Ele fez 397,30 pontos nas eliminatórias, 383,35 na semifinal, mas caiu para 365,40 na final, que ele temia não disputar porque seu colega de quarto pegou covid. Um exame pouco antes da prova o autorizou.

Na competição, Rafael apresentou seis saltos. Cada um deles foi executado três vezes, nas três etapas: eliminatórias, semifinal e final. Considerando a melhor nota de cada um desses saltos, Rafael somaria 429 pontos, o que teria valido, na final, um quinto lugar. A zona da medalha ainda está distante. O britânico Jack Laugher fez 473,30 pontos para ser bronze. Ouro e prata ficaram com os chineses Zongyuan Wang (561,95) e Yuan Cao (492,85).

Na plataforma sincronizada masculina, Kawan Figueiredo, de 20 anos, e Isaac Filho, de 23, também não repetiram, na final, a apresentação das eliminatórias. Mesmo assim terminaram em nono lugar, um resultado histórico para o país, que tinha como melhor campanha em prova sincronizada um 12º lugar exatamente nesta prova e com esses atletas em 2019. Eles somaram 329,79 pontos, depois de fazerem 354,45 nas eliminatórias, quando passaram em sétimo.

O resultado em Budapeste mostra que, pela primeira vez, o Brasil pode classificar uma dupla para competir em prova sincronizada na Olimpíada, em Paris — o país participou como dono da casa em 2016. São só oito vagas, e uma é da França. Classificam-se os três primeiros do Mundial de 2023 e as outras quatro vagas são distribuídas pela Copa do Mundo, que costuma ser um evento-teste na sede da Olimpíada. Na prática, é necessário ser a sétima força da prova. Hoje o Brasil foi a nona.

A participação do Brasil nas provas de saltos ornamentais do Mundial de Budapeste está só começando. O país ainda compete no trampolim feminino com Luana Lira e Anna Lucia dos Santos, que também foram dupla sincronizada, e com Issac e Kawan na plataforma individual, além de participações em provas mistas, por equipe e de trampolim de 1 metro, que não são olímpicas e, por isso, têm menor competitividade.