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OPINIÃO

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Vôlei: Renovação dá certo e Zé Roberto já tem uma nova seleção

Seleção brasileira feminina de vôlei comemora vitória em Brasília - Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Seleção brasileira feminina de vôlei comemora vitória em Brasília Imagem: Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/06/2022 04h00

Todo processo de renovação de uma equipe é difícil, com muitos testes, erros e acertos. Ainda mais no vôlei, em que as seleções ficam cerca de nove meses sem se reunir. Mas, após duas semanas de Liga das Nações de Vôlei, já dá para dizer que, na seleção feminina, a renovação está sendo bem-sucedida.

Se vai render resultados no curto prazo, só o tempo vai dizer. Mas o técnico José Roberto Guimarães tem um time, tem um elenco, e continuará brigando no topo da modalidade no ciclo até as Olimpíadas de Paris.

Da base da seleção em Tóquio, Tandara está suspensa por doping (e, ao não ser que consiga reverter a punição, não volta antes de Paris), Garay, Natália e Brait se aposentaram da seleção e Gattaz, aos 40 anos, não faz parte dos planos de Zé Roberto neste início de ciclo. E, um ano atrás, o treinador já havia perdido Thaisa, outra que não pretende mais jogar pela seleção.

Zé Roberto teve que recomeçar o trabalho, mas não do zero. Três remanescentes têm sido fundamentais: Macris continua sendo a levantadora titular e cérebro da equipe; Gabi foi recentemente eleita a MVP da Liga dos Campeões da Europa, o que vale quase como título de melhor do mundo, e assumiu o posto de capitã da seleção, e a central Carol, carinhosamente conhecida como Carolana, vem liderando as estatísticas de bloqueio na Liga das Nações.

Após oito jogos, ela tem 40 bloqueios, mais de 10 a mais do que a segunda colocada nesta estatística. De forma geral, o fundamento tem sido importante para a nova seleção brasileira. Ontem, na vitória por 3 a 0 sobre a Sérvia, foram 19 pontos de bloqueio, contra um só das rivais.

Também tem ajudado muito a seleção o fato de Zé Roberto conhecer bem a maior parte das jovens jogadoras que chegam agora à seleção, porque elas trabalharam com ele em Barueri. É o caso de Kisy, oposto de 22 anos que tem média de 11,6 pontos por jogo na Liga das Nações e jogou duas temporadas no clube de Zé Roberto. E também de Nyemi, líbero, terceira melhor defensora da liga, e Diana, central, convocada pela primeira vez para a seleção. Ambas têm só 23 anos.

O natural seria que, nas pontas, o Brasil tivesse Gabi e Julia Bergmann, mas a segunda prioriza a universidade e, por isso, não vai jogar o Mundial. Então Zé Roberto tem testado o time que pode levar à Holanda e à Polônia entre setembro e outubro. Assim, Pri Daroit tem tido mais tempo de quadra e tem correspondido.

Por enquanto o Brasil tem a terceira melhor campanha da fase de classificação da Liga das Nações, com seis vitórias em oito jogos. O Japão ganhou oito, e os Estados Unidos sete. Oito avançam para a fase final, que será disputada em mata-mata, no meio de julho.

Depois desta rodada em Brasília, o Brasil descansa por uma semana e volta à quadra na Bulgária, dia 28, terça, contra a China. Nesta última semana da fase de classificação, enfrenta a Coreia do Sul, a Bulgária e a Tailândia.