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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Campeão mundial, Morten volta ao Brasil e começa time de handebol do zero

 Morten Soubak foi técnico da seleção brasileira de handebol entre 2009 e 2016 - Jan Christensen/FrontzoneSport via Getty Images
Morten Soubak foi técnico da seleção brasileira de handebol entre 2009 e 2016 Imagem: Jan Christensen/FrontzoneSport via Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

Colunista do UOL

06/06/2022 13h00

Esta é a versão online da edição desta segunda-feira (6/6) da newsletter Olhar Olímpico, que traz detalhes sobre o retorno de Morten Soubak e da importante conquista da ginástica rítmica na Itália, além de resultados do levantamento do peso, judô e canoagem brasileiros. Para assinar o boletim e recebê-lo no seu e-mail, clique aqui. Para receber outros boletins exclusivos, assine o UOL.

Treinador responsável por transformar o Brasil em campeão mundial de handebol, Morten Soubak está de volta para trabalhar no país. Seis anos depois de deixar o cargo de técnico da seleção feminina com um quinto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, o dinamarquês aceitou um desafio incomum para um profissional do calibre dele: começar um time do zero.

Aos 57 anos, Morten foi apresentado na semana passada como coordenador técnico do Praia Clube, um enorme clube social de Uberlândia (MG) que chegou à final das últimas quatro edições da Superliga Feminina de vôlei, mas sem tradição no handebol. O Praia tem um time de base no feminino, e só.

É um projeto novo, em construção. Vamos ter que ser pacientes, mas a meta com certeza é construir alguma coisa no longo prazo, para brigar por títulos dentro do Brasil. Vou estar envolvido com todas as categorias de base, desde bem jovens até o adulto, no masculino e no feminino" Morten Soubak

O trabalho já começou com a visita em escolas da região de Uberlândia, para identificar atletas que possam vir a fazer parte de um time de base do Praia. E, a partir daí, iniciar um projeto que pretende, no futuro, ter também uma equipe profissional, formando e atraindo destaques de outros estados, o que é uma carência hoje no Brasil. O objetivo do presidente Guto Braga é que o Praia dispute a Liga Nacional já no ano que vem.

Ainda que a seleção tenha chegado ao topo do mundo em 2013, sob o comando de Morten, o handebol feminino interno vai cada vez pior. As jogadoras reveladas aqui vão logo embora para a Europa, e poucos clubes fazem um trabalho contínuo — os destaques são o Guarulhos, que joga com a camisa do Corinthians, o tradicional Pinheiros, e mais recentemente o Clube Português, do Recife, entidade da qual é oriundo o atual presidente da confederação, Felipe Rego Barros. No masculino, Pinheiros e Taubaté sobram.

Desde que chegou ao Brasil, em 2005, Morten nunca foi embora de forma definitiva. Quando deixou a seleção brasileira, após os Jogos de 2016, e acertou com a seleção e um clube de Angola, manteve sua casa em São Paulo. Foi para onde ele retornou quando Angola fechou fronteiras por causa da pandemia. Só saiu para trabalhar na temporada passada em um clube da Romênia, onde treinou sete brasileiras.

Ele diz, porém, que se afastou da realidade do handebol brasileiro. "Eu tenho que começar, vamos falar, tudo de novo. De 2016 para hoje é bastante tempo. Então eu tenho que entender como que está o cenário do handebol nacional hoje em dia", afirma Morten, que mantém contato com várias das jogadoras que atuaram com ele na seleção — muitas delas hoje aposentadas, como Duda, que encerrou a carreira na semana passada.

O dinamarquês diz que o trabalho como coordenador de um projeto novo não significa o fim da carreira de treinador de alto rendimento e que, no futuro, pode voltar a atuar na beira da quadra. Por enquanto, está focado em um projeto no qual demonstra confiança.

"Achei essa proposta muito interessante, muito séria. Estou muito feliz pelo que o clube está me mostrando. O Praia é muito grande no esporte do Brasil e seria excelente se a gente conseguir chegar bem também com o handebol".

Medalha da ginástica rítmica na Copa do Mundo coloca equipe em novo patamar

Conjunto brasileiro foi ao pódio na série mista (duas bolas e três fitas) - Divulgação/Federação Italiana - Divulgação/Federação Italiana
Conjunto brasileiro foi ao pódio na série mista (duas bolas e três fitas)
Imagem: Divulgação/Federação Italiana

A medalha de bronze conquistada pelo conjunto brasileiro de ginástica rítmica na Copa do Mundo de Pesaro (Itália) é o tipo de resultado que entra na história da modalidade e pode mudar o nível competitivo da seleção.

Xodó da CBG, a equipe que é treinada por Camila Ferezin (nora da presidente Luciene Resende) tem recebido fortes investimentos há anos que começam a mostrar resultados. Na história, o país só tinha uma medalha em evento assim, um bronze, conquistado em um torneio relativamente esvaziado de 2013.

Agora o cenário é outro. Estavam em Pesaro cinco equipes finalistas dos Jogos de Tóquio-2020 e um total de oito conjuntos que ficaram à frente do Brasil no último Mundial. Na classificação geral (soma das apresentações da série mista e de cinco arcos), o Brasil terminou em quarto e ultrapassou Japão, México, Uzbequistão e EUA.

É verdade que o torneio não contou com Rússia e Belarus, duas potências da GR, mas a medalha indica que o Brasil já é visto de forma diferente pela arbitragem. O país também tem a seu favor um novo código de pontuação que valoriza mais a parte artística. O objetivo da seleção no curto prazo, de qualquer forma, é o Campeonato Pan-Americano, de 5 a 10 de julho, no Rio, onde buscará o bicampeonato. O Mundial da modalidade será disputado em setembro, na Bulgária.

Laura Amaro vence Brasileiro de levantamento de peso: olho nela!

Escreverei quantas vezes forem necessárias: olho em Laura Amaro, do levantamento de peso. Ela subiu para a categoria olímpica de até 81kg e venceu o Campeonato Brasileiro levantando um total de 237 kg, mesmo ainda se adaptando ao novo peso. Em 2021, isso daria a ela o 9º lugar do ranking mundial. No Brasileiro, ela até levantou a barra com 111 kg no arranque, marca invalidada pelos juízes. Se conseguisse, como tem conseguido nos treinos, seria recorde nacional. Laura já levanta 136 kg no arremesso nos treinos, mas errou no Brasileiro.

Outra candidata a medalha olímpica é Amanda Schott, que agora compete na categoria até 71 kg. Ela levantou 228 kg no Brasileiro, seis a menos do que a marca que valeu a ela a prata no Mundial para atletas de até 87 kg.

O torneio em Minas Gerais ainda teve resultados muito bons de Thiago Felix (61 kg), Natasha Rosa (49 kg), Luiza Dias (49 kg), Emily Rosa (49 kg) e Josué Lucas (73 kg). O Brasil segue tendo um número muito baixo de halterofilistas (algumas categorias tiveram só um inscrito no sub-20), mas os resultados estão melhorando bastante.

Quatro medalhas no Grand Slam de Tbilisi de judô

O Brasil ganhou quatro medalhas no Grand Slam de Tbilisi de judô, o que é um bom resultado dado o nível da competição, mas não chega a impressionar diante do baixo número de participantes do torneio na Geórgia, que não valeu para o ranking olímpico. O bicho começa a pegar de verdade com dois Grand Slams quase seguidos na Mongólia e na Hungria, no fim de junho e começo de julho, seguidos de um Grand Prix na Croácia. Esses eventos vão mostrar melhor o que esperar do Brasil para o ciclo olímpico.

Pepê Gonçalves é ouro em nova prova olímpica na canoagem. Mas calma...

Tenho sempre um pé atrás com resultados em provas que acabaram de entrar no programa olímpico — daqui até Paris-2024, muita gente vai passar a se dedicar a ela e o nível competitivo vai subir. De qualquer forma, é sempre melhor começar no topo.

No fim de semana, Pepê Gonçalves ganhou ouro no K1 extreme na etapa de Augsburg (Alemanha) do circuito mundial de canoagem slalom, no mesmo canal que receberá o Mundial. No extreme, três atletas largam juntos e ganha quem chegar na frente. A prova tradicional da modalidade é aquela que faz a contagem por tempo, com largada individual.

Recordista mundial dos 400 m com barreiras se machuca. Chega ao Mundial?

Alison dos Santos, o Piu, continua liderando o ranking mundial dos 400 m com barreiras, com as duas melhores marcas da temporada. Fez 47s23 em Eugene e 47s24 em Doha, nas duas vitórias dele na Diamond League. Em Rabat (Marrocos), para onde não foi, a expectativa era pela estreia no ano do norueguês Karsten Warholm, campeão olímpico e recordista mundial, mas ele sentiu lesão na coxa e nem completou a prova. O Mundial começa em 15 de julho e, se Warholm não for, Piu é favorito ao título. Se o norueguês se recuperar, a briga vai ser boa.

Mundial de vôlei de praia começa sexta-feira, na Itália

O Mundial de vôlei de praia começa na sexta-feira em um cenário paradisíaco: o Foro Itálico de Roma. O Brasil terá oito duplas, quatro no masculino e quatro no feminino. Entre as mulheres, Bárbara/Carol Solberg e Duda/Ana Patrícia devem brigar no topo. Elas foram prata e bronze, respectivamente, na etapa da Letônia do Circuito Mundial, encerrada ontem. O ouro foi para o Canadá. No masculino, a dupla de André/George ficou com bronze.

Minha aposta é que, além desses, Talita/Rebecca e Renato/Vitor Felipe também podem chegar na briga por medalhas. Bruno Schmidt/Saymon, Alison/Guto e Taiana/Hegê correm bem por fora. Evandro e Álvaro Filho, que foram a Tóquio e agora jogam juntos, não somaram pontos suficientes para entrarem como uma das quatro duplas brasileiras no Mundial, que vai até o outro domingo.

Campeão olímpico do triatlo bate marca histórica do Ironman

Aconteceu ontem: o campeão olímpico Kristian Blummenfelt, norueguês de 28 anos, se tornou o primeiro homem a correr um Ironman (3.860 metros de natação, 180,25 km de ciclismo e uma maratona) abaixo de 7 horas. Em uma apresentação na Alemanha com 10 pacemakers, ele marcou 6h44min25, Ele melhorou a antiga melhor marca em 37 minutos. No feminino, algo ainda mais impressionante: a britânica Kat Matthews não só atingiu o sub-8, meta da prova, como marcou 7h31min54, o que seria a quinta melhor marca de todos os tempos entre homens e mulheres. Ela baixou o recorde mundial em 47 minutos. A brasileira Luisa Baptista foi uma das pacemakers.