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REPORTAGEM

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Tandara lamenta suspensão 'desproporcional' e diz ter provas de inocência

Tandara, do Osasco Audax - Reprodução/Instagram
Tandara, do Osasco Audax Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/05/2022 01h02

Tandara Caixeta lamentou, em postagem no Twitter, a suspensão de quatro anos aplicada a ela pelo Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD) em julgamento realizado nesta segunda-feira (23) em sessão virtual. A jogadora alegou ser inocente e disse que vai recorrer da decisão.

"Essa condenação é, particularmente, difícil para mim porque estou sendo condenada por algo que não fiz e Deus sabe. Eu tenho orgulho dos meus mais de 18 anos de carreira sem nenhuma mancha. Minha vida é o vôlei, e quem me conhece sabe que não faria nada que pudesse destruir tudo isso que construímos em todo esse tempo", postou.

A jogadora, que alegou que nunca havia se pronunciado sobre o caso de doping porque estava "determinada a provar sua inocência", disse que pode comprová-la. "Apesar de termos provas mais do que suficientes que mostram que fui contaminada, tive uma condenação injusta, desproporcional e precedida de um estranho vazamento de um processo que deveria ser sigiloso", afirmou.

Na sexta-feira da semana passada, depois de meses de apuração, esta coluna publicou detalhes do processo no TJD-AD, que corre em segredo pelas regras antidoping, e sobre dois processos na Justiça, que Tandara abriu contra duas farmácias de manipulação, e correm em segredo por pedido dela, que alegou ser famosa para solicitar essa exceção. Nem o advogado dela, Marcelo Franklin, nem Tandara, responderam aos contatos com pedidos para entrevista.

Como adiantou a coluna, Tandara não apresentou provas no julgamento desta segunda de que suplementos consumidos por ela estavam contaminados com Ostarina, uma substância cuja venda é proibida no Brasil. Mesmo assim, o produto pode ser comprado pela internet e é consumido especialmente por atletas que querem ganho de força e resistência sem ganho de massa muscular.

Tandara testou positivo para a Ostarina em um exame surpresa realizado nas jogadoras da seleção brasileira em 7 de julho, quando elas voltaram a treinar depois de alguns dias de folga após a Liga das Nações. A Ostarina tem meia-vida curta, o que significa que, para ser detectada em exame antidoping, ela precisa ter sido consumida horas antes.

Depois deste exame, Tandara foi com a seleção para Tóquio e, oficialmente, levou os mesmos suplementos que ela tomava em Saquarema (RJ), onde passou pelo teste que deu positivo para Ostarina. No Japão, ela foi novamente testada e o resultado foi negativo para Ostarina.

Inconformada com a condenação, Tandara prometeu recorrer: "Infelizmente, o entendimento da Primeira Câmara do TJDAD é incompatível com a melhor jurisprudência internacional. Em todo o caso, vamos recorrer ao Plenário para que a justiça seja, de fato, reestabelecida. Respeito, mas não concordo com essa decisão de hoje. Lutarei, como sempre fiz, para provar minha inocência", escreveu a jogadora.