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OPINIÃO

PA vira comentarista de TV e se distancia da carreira de atleta

Paulo André Imagem: P.A (WAY) por Mateus Aguiar
Demétrio Vecchioli

21/05/2022 04h00

Desde que Paulo André aceitou o convite para participar do Big Brother Brasil, escrevi algumas vezes, aqui e no Twitter, que seria difícil ele voltar para o atletismo com a dedicação de antes. Quase um mês depois de o BBB terminar, com a notícia de que ele vai estrear como comentarista da Globo em uma etapa da Diamond League hoje (21), fico tranquilo de colocar mais fichas nesta aposta.

E isso não é uma crítica a Paulo André. Eu não consigo imaginar quanto dinheiro ele vai ganhar só este ano, não sei como isso pode fazer diferença para o resto da vida dele, dos pais e do filho dele, e sentado e aconchegado em um escritório quentinho, não tenho e nunca terei ideia de quão desgastante é a vida de um atleta.

Ainda assim, achava e sigo achando que, quando colocados todos esses fatores na balança, pesaria mais a fama. Como dizer não ao dinheiro que a vida de famoso oferece? Basta sorrir (e PA sabe fazer muito bem), fotografar (idem), ser simpático (também), e correr para o abraço.

Como também já escrevi, Paulo André tem como qualidade a capacidade de, no início de um ciclo de treinamento, conseguir bons resultados. Em tese, ele tem condições de treinar duas semanas, correr bem o Troféu Brasil, em junho, terminar os 100m entre os cinco primeiros, e pegar uma vaga no Mundial, no revezamento. Mas para ser leal aos companheiros, ele precisaria treinar a sério, como eles, de forma exclusiva, até o Mundial.

Se PA tivesse um pouco deste foco, deste interesse, já teria ao menos feito alguns exames, ou estaria treinando um período, que fosse. Mas não, ele está curtindo o máximo da fama, das possibilidades comerciais, e também das chances de aproveitar a vida, algo que ele, como atleta sempre acompanhado de perto pelo pai no Espírito Santo, não costumava fazer.

Mas PA também sabe, eu acho, que ele precisa de uma narrativa, ter algo para contar que justifique ir de novo em cada um dos programas da Globo que ele já foi. Ser um ex-atleta e um ex-BBB não vai bastar para sempre, e mais cedo ou mais tarde ele volta a competir.

O que eu acho: isso vai acontecer no ano que vem, e Paulo André terá muitas dificuldades de voltar ao nível em que já correu, até porque agora ele tem rivais tão bons quanto ele: Felipe Bardi e Erik Cardoso. Com a diferença que os atletas do Sesi estão em crescimento, altamente focados, e ele está vindo de um ano parado.

Talvez PA até vá ao Pan do ano que vem, ao Mundial do ano que vem, e quem sabe consiga até uma vaga no revezamento para Paris. Mas considero, pelo cenário de hoje, que é altamente improvável que ele consiga um resultado no nível do Paulo André que um dia correu (com vento acima do permitido) os 100 metros abaixo de 10 segundos. A boa notícia é que ele parece muito mais feliz agora.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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