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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Minas entrega concessão do Mineirinho por 35 anos e receberá R$ 103 mil

Ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte - Agência Minas
Ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte Imagem: Agência Minas
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/05/2022 11h58

O maior ginásio do país foi entregue a iniciativa privada por 35 anos em troca do pagamento de uma quantia simbólica de R$ 103 mil ao estado. Cinco meses depois de ver ninguém se interessar por arrematar a concessão do Mineirinho por um mínimo de R$ 13 milhões, o governo de Minas Gerais fez um leilão público às pressas ontem (19), convocado dois dias antes, e concedeu o equipamento ao lance de R$ 103 mil da construtora Progen, que já é concessionária do Complexo Esportivo do Pacaembu, em São Paulo.

Apesar do valor simbólico, que representa apenas 0,7% do preço que Minas Gerais considerava o mínimo necessário para entregar o ginásio à iniciativa privada em janeiro, o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, considerou o leilão um "sucesso", segundo reportagem da Agência Minas, órgão que distribui informações do governo estadual.

Ao informar sobre a concessão, a Agência Minas omitiu o valor que será pago pela Progen, porém. Informou apenas que o concessionário, ao longo de 35 anos, deverá investir R$ 150 milhões no Mineirinho, sendo R$ 41 milhões em uma primeira reforma, que deverá consumir os dois primeiros anos de contrato.

"O Mineirinho é o maior estádio coberto do Brasil. Felizmente, ele agora vai ser operado de maneira decente, com as reformas que ele precisa, colocando Belo Horizonte em definitivo nos grandes circuitos de shows e eventos esportivos do país" disse Marcato. Na verdade, o Mineirinho é um ginásio, o maior do país.

No fim de 2020, Marcato estava otimista que poderia conseguir uma PPP para o Mineirinho, que tem características diferentes de outros grandes ginásios como o Ibirapuera e o Maracanãzinho, principalmente pela localização, na Pampulha, em área nobre, e pelos nove pavimentos, que permitem, no entender do governo, que o concessionário tenha múltiplas possibilidades de uso, além do esportivo, respeitando o tombamento arquitetônico.

Ele citava duas características geográficas que jogam a favor do Mineirinho: a proximidade com o aeroporto da Pampula (que também será concedido), o que pode facilitar a atração de turistas e, consequentemente, de eventos internacionais, e o fato de o ginásio ser vizinho ao campus da UFMG. "Você pode transformar ele em um centro de negócios, um ponto de encontros. Tem muito espaço para ocupar. É diferente do Maracanãzinho, que é grande, mas não tem área instalada."

Atualmente o Mineirinho raramente recebe eventos esportivos de grande porte. O Minas Tênis Clube tem times no NBB e na Superliga, tanto masculina quanto feminina, mas tem seu próprio ginásio, de tamanho adequado para essas ligas. Multicampeão no vôlei, o Sada/Cruzeiro costuma jogar em Contagem, na região metropolitana de BH.

Quando as duas equipes chegaram à final da Superliga, recentemente, tentaram usar o Mineirinho, que não estava em condições de receber a partida. Apesar de alegar gastar R$ 2 milhões com a manutenção do local, o governo de Minas não o mantinha apto ao uso.