PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ginasta de 46 anos se despediu em Tóquio, mas quer tentar 9ª Olimpíada

Oksana Chusovitina na qualificação do salto em Tóquio - Ezra Shaw/Getty Images
Oksana Chusovitina na qualificação do salto em Tóquio Imagem: Ezra Shaw/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/05/2022 04h00

Depois de quase três décadas de carreira como ginasta olímpica, durou pouco a aposentadoria de Oksana Chusovitina. A mais longeva atleta da ginástica olímpica, forte candidata ao posto de esportista que mais tempo permaneceu entre as melhores do mundo, a uzbeque de 46 anos anunciou que vai continuar no esporte e tentará vaga em Paris, para sua nona Olimpíada, três anos após ser ovacionada em Tóquio em uma "despedida".

Até hoje, só quatro atletas têm tantas edições olímpicas no currículo, sendo dois deles do tiro esportivo, um do hipismo e outro da vela, todas modalidades que não exigem muita explosão física. Chusovitina é um fenômeno único porque chegou a oito Olimpíadas exatamente no esporte olímpico em que a carreira costuma ser mais curta, a ginástica.

Nascida no Uzbequistão em 1975, Chusovitina foi campeã por equipes em Barcelona-1992 competindo pela Equipe Unificada, com atletas da ex-União Soviética. Em Sydney-2000, aos 25 anos, competiu um ano após o nascimento de seu filho, Alisher. Aquela seria sua última Olimpíada, não fosse o diagnóstico de leucemia do garoto em 2002.

A ginasta se mudou com o filho para a Alemanha para o tratamento do filho. E decidiu voltar à ginástica como forma de conseguir pagar os custos médicos. Oksana naturalizou-se alemã e defendeu o país em Pequim-2008 e Londres-2012. Na Rio-2016, voltou a defender seu país natal, pelo qual se classificou também a Tóquio-2020.

Na competição disputada no Japão no ano passado, a ginasta se despediu do esporte, alegando que queria passar mais tempo com o filho, que estava com 22 anos. "Ele vai para a universidade esse ano, na Itália, e quero estar por perto", justificou, após um adeus emocionado ao tablado.

Assim que encerrou sua apresentação no salto, sem vaga na final, Chusovitina foi ovacionada pelas poucas pessoas no ginásio, uma comunidade que tem enorme respeito pela sua história. Rivais de outras seleções, técnicos, árbitros, jornalistas, fotógrafos, quase todos pararam o que estavam fazendo para aplaudi-la longamente, até que ela subisse em uma posição mais central do tablado para continuar ouvindo as palmas com muitas lágrimas no rosto.

Mas aquela cena memorável não foi a última de sua carreira. Ainda no ano passado, Chusovitina disse que disputaria mais uma competição, os Jogos Asiáticos, que seriam em setembro deste ano na China. Por causa da pandemia, porém, a competição foi adiada indefinidamente — na prática, cancelada. E aí Chusovitina decidiu ir um pouco adiante.

Depois de ganhar a competição de salto do campeonato nacional do Uzbequistão, ela foi perguntada sobre como o cancelamento dos Jogos Asiáticos afetavam sua ideia. Então, Oksana disse que irá até Paris-2024, quando terá 49 anos. Como só compete no salto, ela terá que buscar vaga via Copa do Mundo por Aparelhos, uma vez que a grande maioria das vagas olímpicas é distribuída por equipes (e a do Uzbequistão não é forte) ou para generalistas, que competem em todos os aparelhos.