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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ciclo olímpico até Paris começa melhor do que o esperado

Guilherme Schmidt, campeão do Grand Slam de Antalya de judô - Gabriela Sabau/IJF
Guilherme Schmidt, campeão do Grand Slam de Antalya de judô Imagem: Gabriela Sabau/IJF
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

Colunista do UOL

04/04/2022 13h00

Esta é a versão online da edição desta segunda-feira (4/4) da newsletter Olhar Olímpico, seu resumo sobre o que de mais importante aconteceu e vai acontecer nos esportes olímpicos durante a semana. Para assinar o boletim e recebê-lo no seu e-mail, clique aqui.

O ciclo olímpico que começou após Tóquio, no ano passado, e vai até Paris, em 2024, tinha tudo para ser duríssimo para o esporte brasileiro. Mas os resultados recentes, reforçados por medalhas no último fim de semana, mostram que, de forma geral, as coisas estão dando muito mais certo do que o esperado para o Brasil.

A soma de pandemia com a crise financeira e a distância dos grandes centros afastou dos jovens brasileiros a possibilidade de intercâmbio no exterior. Com corte de patrocínios estatais e privados, há menos dinheiro — o que, via de regra, prioriza os medalhões do esporte. Tem sido assim desde o ciclo passado, quando o Brasil obteve poucos bons resultados nos Mundiais de base.

Como o Brasil não plantou muita coisa no último ciclo, o natural seria que não tivesse o que colher por agora, exceto um resultado pontual aqui e ali. O que ninguém esperava, nem mesmo o Comitê Olímpico do Brasil, é que bons resultados fossem pipocar em todos os lados.

No judô, depois de um ciclo duríssimo, quase sem renovação, o Brasil voltou a ficar nas cabeças do quadro de medalhas de um evento importante. No caso, o Grand Slam de Antalya, na Turquia, realizado no fim de semana. E com pódios de caras novas.

O destaque foi Guilherme Schmidt (81kg), de apenas 21 anos, que foi campeão vencendo o primeiro e o terceiro do ranking mundial. Willian Lima (66kg) também lutou muito bem, ficando com a prata depois de derrotar os números 3 e 8 do mundo. Em fevereiro eu escrevi que os dois eram as grandes apostas do judô masculino para Paris.

O feito cresce em relevância porque, desde maio de 2019, nenhum homem brasileiro que não fossem Baby, David Moura ou Daniel Cargnin tinha chegado ao pódio em um Grand Slam. Em Antalya, foram três medalhas de uma só vez, porque Rafael Macedo (90kg), outro que também deve crescer no ciclo, foi bronze.

No feminino, o Brasil ainda ganhou bronze com Maria Portela (70kg) e com a quase novata Jessica Lima (52kg) — ela tem 24 anos, mas até chegar à seleção no fim do ano passado, só havia disputado um torneio internacional adulto.

Na ginástica artística, a seleção feminina ganhou o reforço de Julia Soares, 16 anos, ouro no solo em sua primeira Copa do Mundo, em Baku, no Azerbaijão. Não que ela vire candidata a medalha em Paris, mas sua presença no time pode ser determinante para classificar a equipe para a Olimpíada de 2024, depois de o Brasil ficar fora de Tóquio como time — só Rebeca Andrade e Flávia Saraiva se classificaram, individualmente.

No boxe, Luiz Oliveira, o Bolinha, neto do medalhista olímpico Servílio de Oliveira, foi campeão pan-americano no Equador, no fim de semana, vencendo na final Antonio Jahmal, dos EUA, atual campeão mundial. Em um torneio sem atletas de Cuba, o Brasil mais cinco ouros, com Wanderson Oliveira (67kg), Keno Marley (86kg), a medalhista olímpica Bia Ferreira (60kg), Beatriz Soares (69kg) e Bárbara Santos (70g). Os seis são prospectos para Paris, assim como Isaias Filho (80kg), que ganhou prata.

Mesmo em modalidades sem grandes novidades, o Brasil tem alcançado resultados com atletas já consolidados que deram um passo adiante. É o caso de Darlan Romani, campeão mundial indoor no arremesso de peso no mês passado, Marcus Vinicius D'Almeida, prata no Mundial de tiro com arco no fim do ano passado, e Talita/Rebecca, dupla que abriu o circuito de vôlei de praia com bronze.

Inclua na lista Thiago Braz, Rebeca Andrade, Bia Haddad Maia, Luisa Stefani, todo o pessoal do skate, todo o pessoal do surfe, Caio Bonfim (que ganhou a etapa da República Checa do Circuito Mundial de marcha atlética no sábado), Martine Grael e Kahena Kunze, Hugo Calderano, Ana Marcela Cunha.... hoje, a impressão é de que Paris-2024 pode ser ainda melhor do que Tóquio-2020 para o Brasil.

Troféu Brasil de natação é um bom teste

Fernando Scheffer conquistou o bronze nos 200m livre em Tóquio - Satiro Sodré/SSPress/CBDA - Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Fernando Scheffer conquistou o bronze nos 200m livre em Tóquio
Imagem: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O Troféu Brasil de natação, que começou hoje (4) e será disputado até sábado (9), no Rio, será um teste importante para medir a força do Brasil rumo a Paris em um esporte que distribui muitas medalhas. No caminho de Tóquio, a seleção sofreu uma forte reformulação, que rendeu um pódio no Japão, com Fernando Schefferalém de outro, com Bruno Fratus, construído por mais tempo.

Vale a pena acompanhar
A expectativa é que o pessoal da geração de Scheffer, que completa 24 anos na quarta-feira, "estoure" no Mundial de Budapeste, em julho, para o qual o Troféu Brasil é o único torneio classificatório. As finais começam às 18h30, até sexta, e às 18h no sábado, com transmissão no Canal Olímpico e do SporTV -- as eliminatórias são às 9h30. O Parque Aquático Maria Lenk, sede do campeonato, está aberto para a presença de público.

Por uma cadeira em Brasília
E por falar em natação, o medalhista olímpico Edvaldo Valério anunciou hoje cedo sua filiação ao Republicanos para concorrer a deputado federal na Bahia. Ele administra a Arena Aquática de Salvador, ligada à prefeitura, e vai apoiar o ex-prefeito ACM Neto na corrida a governador.

De Garanhuns para o mundo
Admito que nunca havia lido sobre o pernambucano José Marcio Leão da Silva até ele ser quinto colocado na São Silvestre de 2021. Ontem, aos 31 anos, ele correu a segunda maratona da vida dele, em Milão, e alcançou um ótimo 11º lugar, com o tempo de 2h08min40. A marca não só é índice para o Mundial de Eugene, em julho, como fez de José Marcio o quinto melhor maratonista brasileiro de todos os tempos, segundo o ranking da World Athletics. À frente dele estão: Ronaldo da Costa (2h06min50), Daniel do Nascimento (2h06min11), Marílson Gomes dos Santos (2h06min34) e Vanderlei Cordeiro de Lima (2h08min31).

Pausa na carreira
Líbero da seleção de vôlei, Camila Brait anunciou ontem uma pausa na carreira. O comunicado da jogadora de 33 anos foi feito após a eliminação do Osasco São Cristóvão Saúde da Superliga Feminina -- a equipe paulista perdeu para o Sesc Flamengo nas quartas. Como fizeram várias outras atletas, como a central Fabiana (que também jogou a Superliga por Osasco), Brait não vai jogar a próxima temporada para tentar engravidar. Ela já é mãe da fofa Alice, nascida no fim de 2017.

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