PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Filipe leva Cruzeiro a título mundial no 5º mês de carreira como técnico

Filipe Ferraz beija taça do Campeonato Mineiro - Divulgação
Filipe Ferraz beija taça do Campeonato Mineiro Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/12/2021 04h00

Filipe Ferraz ainda não completou um semestre em sua nova profissão, a de treinador de vôlei, e já tem no currículo um feito restrito à elite da sua profissão: um título mundial. E não só. Em apenas cinco meses desde que assumiu o comando técnico do Sada/Cruzeiro, o ex-jogador, recém-aposentado, já acumula três taças, uma vez que também ganhou o Campeonato Mineiro e a Supercopa.

Aos 41 anos, Felipe representa a renovação em uma área onde o Brasil, apesar do protagonismo mundial com Bernardinho e José Roberto Guimarães, especialmente, vem falhando em firmar novos nomes. Basta ver que, na temporada passada, os três melhores times da fase de classificação da Superliga eram comandados por argentinos.

O mais emblemático deles, Marcelo Mendez, responsável pela histórica medalha conquistada pela Argentina em cima do Brasil em Tóquio, comandou o Sada/Cruzeiro por 12 temporadas, mas saiu do clube em março, após a eliminação na Superliga. Mais antigo jogador do elenco, Filipe Ferraz foi sondado para assumir um cargo na nova comissão técnica e acabou surpreendido com o convite para virar técnico.

"Eu já vinha sentido que eu estava sendo pouco acionado, não estava jogando, que fui ficando de escanteio, mas era importante minha presença, liderança. Depois da frustrante eliminação para o Itapetininga, a direção, em uma reunião, falou que pretendia me manter, mas trabalhando na parte técnica. Fui de férias para a casa dos meus pais e chegou o convite para assumir a equipe. Fiquei me martirizando, porque queria continuar jogando, mas aceitei o desafio", conta.

Filipe nunca chegou a jogar pela seleção brasileira, apesar de temporadas espetaculares na última década, mas é provavelmente o jogador que mais venceu por um mesmo clube na história. Contratado quando o Sada foi formado, antes até da parceria com o Cruzeiro, o ponteiro faturou 39 títulos como jogador apenas no clube. Contando também as três taças conquistadas esse ano, já como técnico, são 42 títulos em 58 torneios disputados pelo Sada de 2010 para cá.

"É o maior time da história do vôlei brasileiro. Só título mundial é nosso quarto, só ficamos atrás do Trentino (da Itália) que tem cinco. É uma máquina de títulos impressionante. E digo isso não por ser o treinador. Acredito muito na filosofia de trabalho, nas pessoas, no trabalho que Marcelo Mendez fez aqui, de tirar ao máximo tudo de todos os atletas", elogia.

Até então único treinador da história do Sada, Mendez deixou sua marca no time, conhecido pelo estilo de saque forte e ataque potente, uma máquina de bater na bola. Filipe quer manter essa tradição, mas impor também seu modo de ver o vôlei. "Estou tentando sempre aprimorar o que tem de bom no time, mas implementando o que o Filipe mais sabia fazer, que é dar um equilibrio, um suporte para o time. Um time mais jogueiro, que passa, defende e bloqueia. Além de ter potência no saque e no ataque, estou implementando uma recepção mais qualificada", explica.

Aposentado como jogador aos 41 anos, Filipe lamenta nunca ter tido a chance de vestir a camisa de seleção brasileira. Ele não esconde que isso faz com que seu desejo de um dia se tornar treinador do Brasil seja dobrado, ainda que seu planejamento seja passo a passo, a longo prazo.

"É cedo para planejamento de longo prazo. Espero que continue fazendo o meu melhor. Estou num processo de aprendizado, mas impondo e colocando minha filosofia. Prezo por gestão de grupo, gestão de pessoas. Hoje o tratamento com os atletas é mais de gestão de pessoas. Procuro deixar o grupo de um jeito mais flexível. Não sou durão, arrogante, acho que os tempos evoluem", afirma.

O quarto título mundial do Sada/Cruzeiro foi conquistado no sábado (11), em casa, em Betim (MG), com vitória por 3 a 0 sobre o italiano Civitanova, de Lucarelli e Simón, cubano odiado pela torcida por ter deixado o clube em 2018. Na campanha o Sada venceu o Foolad Sirjan, do Irã, e o Tentrino, da Itália, na primeira fase, sem perder sets. Na semi, eliminou o Funvic/Natal, ex-Taubaté, quebrado financeiramente, por 3 a 1. O cubano Miguel Lopez, nova estrela do Sada/Cruzeiro, foi eleito o MVP do torneio.