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Olhar Olímpico

OPINIÃO

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Fechado para reforma desde 2014, Baby Barioni terá museu indígena em SP

Obras do Complexo Esportivo Baby Barioni, em 2019 - Secretaria de Esportes
Obras do Complexo Esportivo Baby Barioni, em 2019 Imagem: Secretaria de Esportes
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/12/2021 15h44

Fechado para reforma desde 2014 e com diversas promessas não cumpridas de inauguração, o Complexo Esportivo Baby Barioni, na zona oeste de São Paulo, vai se tornar sede do novo Museu das Culturas Indígenas. O anúncio foi feito hoje (6) pelo governo do Estado, que, em nota à imprensa, deixou de tratar a estrutura pelo seu nome tradicional de "complexo esportivo" para chamá-lo apenas de "complexo Baby Barioni".

Colado no Parque da Água Branca, o Baby Barioni é um dos "legados olímpicos" da Rio-2016 na cidade de São Paulo - o outro é CT Paraolímpico, na zona sul. As obras do complexo, porém, começaram em 2014 e pararam em 2016. O convênio com a Caixa Econômica Federal, que pagava pela obra com verba do antigo Ministério do Esporte, foi completamente encerrado em outubro de 2018.

No ano passado, o governo estadual devolveu R$ 9,2 milhões à União porque São Paulo não cumpriu seu compromisso de reformar a estrutura. A licitação que contratou a Construtora Roy Ltda por R$ 26 milhões em 2014 foi denunciada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que encontrou indícios de direcionamento e suspendeu o contrato. O caso foi julgado pelo TCE em 2018 e o secretário de esportes da época, o hoje prefeito de São Caetano do Sul José Aurichio Jr (PSDB), multado.

Só em setembro de 2019 é que o governo estadual retomou as reformas, que ainda estão longe da conclusão. Na época, a promessa é que a obra seria entregue ao longo de 2020, mas agora a promessa é para setembro de 2022, pouco antes da eleição na qual o governador João Doria (PSDB) vai concorrer à Presidência da República.

Até o ano passado, o planejamento do governo indicava que o novo prédio administrativo do complexo, com sete andares de 200m² cada, se tornasse a nova sede da Secretaria de Esportes, que vai ser despejada de sua tradicional sede no número 9 da Praça Antônio Prado, no centro. O prédio histórico, conhecido como Edifício Banco de São Paulo e projetado pelo arquiteto Álvaro de Arruda Botelho, está na fila para ser vendido pelo governo estadual.

Pelo novo planejamento, a Secretaria de Esportes vai outro imóvel público no centro de São Paulo, o Edifício Cidade 1, na Rua Boa Vista. Assim, o prédio administrativo do Baby Barioni será cedido à Secretaria de Cultura, que vai montar o museu indígena em parceria com Instituto Maracá. A abertura está programada para março de 2022, com uma exposição inaugural em homenagem a Jaider Esbell, que morreu no mês passado.

De acordo com a Secretaria de Esportes, o restante do complexo seguirá dedicada ao esporte, com a piscina, ginásio e alojamento reformados. As obras deste legado olímpico, prometidas em 2014 para serem concluídas em 2016, agora têm promessa de encerramento em setembro do ano que vem.

Quando a concessão do Complexo do Ibirapuera foi discutida em audiência pública, o secretário Aildo Rodrigues (Republicanos) apontou a piscina do Baby Barioni como uma compensação à destruição do conjunto aquático do Ibirapuera. "Está em curso a construção [na verdade reforma] de piscina, com previsão de conclusão para dezembro de 2021, bem como de novos alojamentos, até meados de 2022", disse ele na ocasião.

Na época, o governo tinha pressa para aprontar o Baby Barioni, levar os atletas do Ibirapuera para lá, e poder realizar logo a concessão deste último. Com a privatização cada vez mais improvável, as obras do Baby Barioni passaram a andar em ritmo mais lento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL