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Brasil vence Pan Júnior e apresenta geração de Paris; conheça 10 apostas

Stephanie Balduccini com medalhas do Pan Júnior - Divulgação/COB
Stephanie Balduccini com medalhas do Pan Júnior Imagem: Divulgação/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/12/2021 12h57

O Brasil foi recompensado pela decisão do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de dedicar o máximo esforço à primeira edição dos Jogos Pan-Americanos Junior, o Pan Júnior, que terminou ontem (5) em Cali, na Colômbia. Diante da ausência dos EUA em diversas modalidades, com destaque para as duas principais (atletismo e natação), e do Canadá em quase todas, o Brasil acabou campeão do quadro de medalhas.

A disputa primeiro com México e depois com a Colômbia pela liderança foi medalha a medalha, mas nos últimos dois dias, com finais de esportes coletivos e diversas provas de atletismo, o Brasil disparou em primeiro. A delegação verde e amarela fechou o evento com 163 medalhas, sendo 59 de ouro, 49 de prata e 55 de bronze.

A Colômbia ficou em segundo, com 48 de ouro (11 a menos que o Brasil) e 145 no total. O México acabou apenas em terceiro, com 46 de ouro e 172 no total (em primeiro nesse critério). Os norte-americanos, mesmo sem participar da natação e do atletismo, onde são hegemônicos mundialmente, ficaram em terceiro, com 47 de ouro.

A competição, primordialmente sub-23, teve faixas etárias variando de modalidade a modalidade, e apresentou como maior atrativo a vaga direta nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, em 2023, para a maior parte dos campeões. No judô, por exemplo, cinco brasileiros estão classificados para o Pan faltando um ano e meio para o evento.

Para o país, isso significa o aumento no número de chances de ir ao pódio no Pan, uma vez que, por regra, cada país pode ter apenas por categoria nesse tipo de competição. Agora, com essa novidade, em cinco categorias o Brasil terá dois representantes. E um resultado expressivo no Pan, em número de medalhas, é parte importante da estratégia do COB (por visibilidade) e das confederações (quanto mais medalha, maior o pedaço na divisão do bolo do dinheiro das Loterias).

Apesar da importância dada pelo COB ao quadro de medalhas do torneio de base de Cali, a ponto de levar diversos atletas olímpicos para a Colômbia, o Pan Júnior tem como principal foco a revelação de atletas e a oportunidade de eles ganharem experiência internacional em um evento de grande porte. Nesse sentido, o Brasil apresentou alguns nomes que devem ser protagonistas do time que vai a Paris-2024.

Conheça 10 deles:

Stephanie Balduccini (17 anos e 2 meses) - Foi a grande vencedora do Pan, com sete medalhas de ouro na natação. Sem EUA e Canadá, o Brasil sobrou na modalidade, vencendo a maior parte dos revezamentos, e Stephanie estava em cinco dessas equipes vencedoras. Outros dois ouros vieram nos 50m livre (25s47) e nos 100m livre (54s63). As marcas passam longe das melhores do mundo no adulto, mas já a colocam como protagonista da natação brasileira feminina para o próximo ciclo. Nos 100m, com o tempo de Cali, ela seria prata no Europeu Júnior.

Miguel Hidalgo (21 anos e 4 meses) - É tão bom corredor que conseguiu um feito raro: competiu em dois esportes diferentes. Primeiro, ganhou o ouro no triatlo. Depois, foi quinto nos 5.000m, no atletismo. Para a Olimpíada, o foco deverá ser o triatlo, onde ele já é o 44º do ranking mundial adulto. Este ano ele foi oitavo no Mundial Sub-23.

Sandy Macedo (20 anos e 7 meses) - Com nome homenageando a famosa cantora, Sandy já havia brilhado com a medalha de bronze na Olimpíada da Juventude de 2018, em Buenos Aires, no taekwondo. Sem conseguir brigar por vaga em Tóquio-2020, assumiu protagonismo depois dos Jogos. Lutando na categoria até 57kg, venceu o Aberto de Montenegro, em outubro, e foi ouro em Cali.

Chayenne Pereira (21 anos e 10 meses) - Uma das atletas da delegação que foi a Cali que também havia estado, antes, na Olimpíada, Chayenne confirmou o favoritismo e venceu os 400m com barreiras, mesmo sem baixar suas melhores marcas (de forma geral o Pan não esteve propício para isso). Também ganhou ouro nos revezamentos 4x400m feminino e misto. Na temporada, ela já havia vencido o Sul-Americano Sub-23 e sido bronze no Pan adulto.

Erik Cardoso (21 anos e 9 meses) - Dono da segunda melhor marca do país na história dos 100m, 10s01, Erik foi a Cali como favorito das provas de velocidade e não decepcionou. Se não conseguiu se aproximar da barreira dos 10 segundos, venceu os 100m com 10s33 e ainda liderou o revezamento 4x100m que fez a boa marca de 39s21. A briga pelo posto de mais rápido do país com Paulo André Camilo e Felipe Bardi, daqui até Paris, será divertida.

Gabriel Falcão (18 anos e 5 meses) - Campeão da categoria até 73kg do judô, o jovem atleta do Instituto Reação é um dos nomes que devem chegar à seleção adulta neste ciclo. Ele foi sétimo no último Mundial Junior e campeão pan-americano júnior em agosto, mesmo sendo um ano mais novo do que o limite da categoria.

Luana Carvalho (19 anos e 8 meses) - Bronze no último Mundial Júnior na categoria até 79kg, Luana confirmou o favoritismo para ganhar o Pan de Cali na categoria até 70kg, a mesma de Maria Portela. A tendência é a jovem formada em um projeto social ligado ao Vasco da Gama entrar para a seleção adulta e brigar por vaga em Paris.

Victoria Vizeu (17 anos e 7 meses) - Em um esporte em que o Brasil nunca disputou uma final feminina em Jogos Pan-Americanos, a esgrima, é notável que uma menina de apenas 17 anos tenha faturado o ouro para o país na espada. Victoria ainda é cadete, mas já esteve no Pan de Lima, em 2019, e recentemente foi 40ª no Mundial Juvenil.

Rafael e Renato Andrew (22 anos) - Não é de hoje que os gêmeos do vôlei de praia são apontados como o futuro da modalidade no país. Eles foram campeões mundiais sub-21 em 2019, ganharam de tudo na base, e faturaram o ouro sem dificuldades em Cali. No adulto, cada um joga num time diferente, e Renato já tem tido resultados expressivos. Jogando com Vitor Felipe, ele faturou três ouros e um bronze nas quatro primeiras etapas do Circuito Brasileiro na temporada.

Giulia Takahashi (16 anos e 8 meses) - Irmã mais nova de Bruna Takahashi, melhor brasileira da história do tênis de mesa, Giulia foi reserva na Olimpíada, e deve entrar naturalmente na seleção a partir do ano que vem. Em Cali, ganhou quatro medalhas. Venceu em duplas mistas e por equipes femininas, foi prata nas duplas femininas e ainda bronze em simples.

Giovanna Prada (20 anos e 5 meses) - Em um momento em que a vela brasileira carece de renovação, Giovanna Prada foi a única atleta do país a subir ao pódio, com prata na prancha à vela, agora disputada como classe IQ Foil. Trigésima primeira colocada no primeiro mundial adulto, a filha do campeão olímpico Bruno Prada deve brigar por vaga em Paris.