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REPORTAGEM

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Advogado que humilhou Mari Ferrer é candidato a presidente do hipismo

Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado - Reprodução
Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/11/2021 13h15

No mesmo dia em que foi promulgada a "Lei Mari Ferrer", que proíbe que vítimas de crimes sexuais e testemunhas sejam constrangidas durante audiências e julgamentos, o advogado que humilhou a influenciadora, Cláudio Gastão da Rosa Filho, anunciou sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).

Gastãozinho, como é conhecido, é presidente da Federação Catarinense de Hipismo (FCH) e foi eleito, no fim do ano passado, para o Conselho de Administração da CBH. Aquela eleição deveria escolher o próximo presidente da entidade, mas na ocasião as duas chapas concorrentes foram impugnadas.

Uma nova votação foi marcada para janeiro e aconteceu sem a presença da oposição, que reclamou de irregularidades no pleito e realizou uma eleição paralela. O grupo de situação deu posse a Kiko Mari como presidente eleito, mas a briga continuou na Justiça, que no mês passado anulou a eleição. No meio dessa novela, Kiko renunciou e, hoje, a confederação é presidida pelo vice eleito, João Loyo, de Pernambuco.

Há um ano, Gastãozinho fazia parte do grupo de oposição, liderado pela bilionária Bárbara Laffranchi, candidata a presidente, e se elegeu para o conselho com os votos do grupo dela. Mas, na última segunda-feira (22), quando a Lei Mari Ferrer foi sancionada, o advogado apresentou sua candidatura à presidência da CBH como candidato da situação, concorrendo contra Laffranchi. Ele terá como vice Josenildo Oliveira, da Bahia.

Mariana Ferrer relata ter sido estuprada pelo empresário André de Camargo Aranha durante uma festa, em 2018. Durante o julgamento do caso, em setembro do ano passado, Gastãozinho, advogado de defesa de Aranha dirigiu à influencer afirmações como a de que "não gostaria de ter uma filha 'no nível' dela", além de mostrar aos presentes fotos supostamente sensuais.

O advogado disse ainda que Mariana tirou fotos em "posições ginecológicas" e "chupando o dedinho". As imagens da audiência também mostravam Mariana chorando diante do advogado, que afirmava: "Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lágrima de crocodilo".

As falas do agora candidato a presidente da CBH causaram comoção no país e estimularam um projeto de lei proposto pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA), que contou com apoio de mais 25 deputados, do PSOL ao PSL. Agora com a nova lei sancionada, o advogado de Mariana pretende pedir a anulação da audiência e de todos os acontecimentos subsequentes dentro do processo.

A reportagem confirmou a candidatura de Gastão, mas não conseguiu entrevistá-lo. Caso ele responda ao pedido de entrevista, este post será atualizado.