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REPORTAGEM

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Em áudio, diretor do Minas diz que só demitiu Maurício para "protegê-lo"

Mauricio Souza foi demitido após publicações homofóbicas - Reprodução/Instagram
Mauricio Souza foi demitido após publicações homofóbicas Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

31/10/2021 19h36

* com Leandro Pinheiro

Em um arquivo de áudio vazado, Elói Lacerda de Oliveira Neto, diretor de vôlei masculino do Minas Tênis Clube, disse que só demitiu o central Maurício Souza para proteger o clube e o próprio atleta de perseguição. O jogador foi desligado na última quarta-feira (27), após a repercussão de um post homofóbico.

Na mensagem, que teve a autoria confirmada pelo UOL Esporte, Elói ainda disse que a demissão aconteceu após "uma semana apanhando da imprensa" e que o contrato de Maurício foi pago integralmente até maio do ano que vem (no vôlei brasileiro, os contratos não são mensais, e sim por temporada, períodos de agosto a maio). O dirigente ainda afirma que a demissão ocorreu porque o clube não teve apoio para manter o atleta.

"Fui eu que dispensei o Mauricio tá? Ta todo mundo vindo bater, mas as pessoas deixaram o Minas desamparado. Durante uma semana apanhando da imprensa, da comunidade LGBT. Fomos obrigados a dispensar o Mauricio, se não ele seria destruído. Pagamos o contrato integral até maio, não ficou desamparado. Fizemos porque não tivemos apoio", disse no áudio.

Elói continua, e chama as comunidades LGBTQIA+, que pressionaram por medidas contra o central, de "radicais". Ele ainda acrescenta que o jogador, em sua visão, não é homofóbico.

"Temos que ser proativos. Essas comunidades radicais elas são ativas. Eles foram na presidência da Melitta na Alemanha, na Fiat na Itália, e nós ficamos literalmente rendidos. Havia milhares de manifestações contra Minas, contra Mauricio. Ele não foi mandado porque ele é homofóbico, ele não é homofóbico. A declaração dele é pessoal dele. Ele foi mandado embora para a proteção dele e para a proteção do Minas", acrescentou.

Procurada pelo UOL, a assessoria do Minas disse que não se pronunciaria sobre o áudio.

Maurício de Souza foi demitido após uma publicação sobre a orientação sexual do atual Superman, Joe Kent, que é filho do herói original Clark Kent e bissexual. O post gerou uma troca de farpas com Douglas Souza, companheiro de Maurício na seleção brasileira, e diversas críticas de personalidades do esporte.

Inicialmente, o jogador de vôlei havia sido afastado, mas posteriormente o clube divulgou a demissão. Patrocinadores do Minas como Fiat e Gerdau tinham cobrados medidas do clube após as manifestações de Maurício nas redes.

Na última sexta-feita, Maurício disse que já procura um novo clube e que "vai continuar sendo da mesma forma".