PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Segunda jogadora transexual a tentar Superliga não consegue inscrição

Mabelly Gonçalo de Souza - Arquivo pessoal
Mabelly Gonçalo de Souza Imagem: Arquivo pessoal
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/10/2021 17h43

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) não autorizou, ao menos por enquanto, a inscrição de Mabelly Gonçalo de Souza por parte do Curitiba Vôlei na Superliga Feminina. A jogadora tenta ser a segunda mulher transexual no vôlei brasileiro de alto rendimento.

De acordo com a CBV, Mabelly não apresentou comprovação de que seu nível de testosterona foi inferior a 10nmol/L por pelo menos 12 meses antes da primeira competição oficial entre mulheres. Para poder ser inscrita no vôlei feminino, Mabelly precisaria ter ao menos 12 testes, por meses consecutivos, dentro desse limite sugerido pelo Comitê Olímpico Internacional.

"A CBV segue as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) referentes a atletas que passaram por redesignação sexual. Na documentação enviada pelo clube, não consta a Declaração de Gênero com firma reconhecida e nem a comprovação de que o nível de testosterona da atleta foi inferior a 10nmol/L por pelo menos 12 meses antes da primeira competição. Os dois documentos fazem parte do pacote de requisitos exigidos pelo COI para casos como esse", explicou a confederação, colocando-se à disposição do clube para orientar sobre a atualização da documentação que permita a liberação da atleta nas próximas rodadas da competição.

A tentativa de inscrição foi revelada hoje pelo jornal O Globo. "Nunca joguei competição como mulher que sou. Esta será a minha primeira e estou muito ansiosa e nervosa. Como mulher, comecei no Paraná Clube, em 2020, mas os torneios que disputei eram mistos", contou Mabelly, de 30 anos, ao diário carioca. Ela iniciou a transição há uma década.

De acordo com o Globo, Mabelly, que atua como ponteira, treina com o elenco do Curitiba há cerca de duas semanas e, antes, treinou com o São José dos Pinhais. O time de Curitiba tem um dos menores orçamentos da Superliga e conta com poucas jogadoras profissionais. Enquanto isso, Tiffany, precursora como mulher trans no vôlei, é um dos destaques do Osasco.