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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Rebeca cai na entrada e termina final da trave sem medalha

Rebeca Andrade foi a destaque brasileira nas etapas da ginástica olímpica de hoje - Ricardo Bufolin/CBG
Rebeca Andrade foi a destaque brasileira nas etapas da ginástica olímpica de hoje Imagem: Ricardo Bufolin/CBG
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/10/2021 05h44

Rebeca Andrade se despediu do Mundial de Ginástica Artística de Kitakyushu, no Japão, com duas medalhas, uma de ouro e outra de prata, conquistadas ontem, sábado (23). Neste domingo (24), a brasileira caiu assim que subiu na trave e, apesar de uma apresentação limpa ao voltar, terminou fora do pódio na final do aparelho, que é o mais fraco — ou menos forte — do seu repertório. Ela, de qualquer forma, não estava entre as favoritas.

A brasileira teve apenas a nona melhor nota das eliminatórias, mas se classificou à final com a oitava vaga porque à frente dela ficaram três norte-americanas e somente duas atletas de cada país, no máximo, podem disputar uma mesma final. Ela precisaria cravar a série para brigar por uma medalha, o que não aconteceu devido à queda. Ficou com 12,500, em sexto. Se tirasse 0,033 a mais do que seu melhor da Olimpíada, ganharia bronze.

"Na ginástica tudo pode acontecer, tanto o acerto excepcional, quando o erro que você não quer. Terminei em sexto e estou muito feliz. É um aparelho que eu não me sinto tão segura, então estou bem feliz por tudo que eu fiz aqui. Não fiz a série completa, com todas as ligações, mas mantive a concentração, o controle do meu corpo. Foi interessante", avaliou Rebeca, em entrevista ao SporTV.

O pódio da prova teve ouro para a japonesa Urara Ashikawa (14,100), única das nove finalistas que também estava na final do aparelho da Olimpíada, quando ficou em sexto. A alemã Pauline Schaefer-Betz (13,800), que já foi campeã mundial, terminou com a prata enquanto o bronze também ficou no Japão, com Mai Muramaki (13,733).

Logo depois, a final das barras paralelas, masculinas, teve a participação do brasileiro Caio Souza. O ginasta do Minas Tênis Clube, que não estava entre os favoritos, teve um pequeno desequilíbrio na saída do exercício, recebeu 14,566, e terminou na sétima colocação. A zona da medalha ficou meio ponto acima. O ouro foi para Huwei Hu, da China, a prata para o filipino Carlos Edriel Yulo, que também ganhou o salto, e Cong Shi, outro chinês, ficou com o bronze.

Desde 1996 um Mundial não era disputado em ano olímpico, o que acabou sendo necessário devido ao adiamento da Olimpíada e da insistência da Federação Internacional de Ginástica ( FIG) em organizar o Mundial no Japão em meio à campanha do japonês Morinari Watanabe pela reeleição como presidente.

Pela proximidade de datas com a Olimpíada, a competição está esvaziada dos principais nomes da modalidade, com poucas exceções, entre elas Rebeca Andrade, convocada inicialmente para competir nos quatro aparelhos e tentar cinco medalhas — em cada um deles e no individual geral, onde seria a grande favorita.

Mas, já no Japão, a comissão técnica optou por poupar a brasileira da prova de solo, em que seria favorita ao pódio e candidata ao ouro. A brasileira, de 22 anos, tem três cirurgias de joelho. Como ela vinha relatando dores, a comissão preferiu não arriscar. Fora do solo, ela também não ficou elegível para o individual geral, que soma o resultado dos quatro aparelhos, e na qual foi prata em Tóquio.

Apesar do título do individual geral para Angelina Melnikova, é Rebeca quem sai do Japão com o status de ginasta mais completa da competição. Ontem, ela venceu com folga no salto, onde não teve adversárias competindo em nível sequer próximo, e foi prata nas assimétricas apesar de não ter conseguido fazer uma ligação, o que tirou dela 0,4 pontos.

O Brasil nunca foi ao pódio na trave em um Mundial de ginástica. O país tem mais tradição no solo, onde teve Daiane dos Santos e Daniele Hypolito com um ouro e uma prata, respectivamente, no começo do século. No salto, Jade ganhou um bronze em 2010, enquanto que nas assimétricas a prata de Rebeca, conquistada ontem, foi inédita.

Nos últimos anos, a grande ginasta do país na trave tem sido Flávia Saraiva, finalista das últimas duas edições da Olimpíada e do Mundial de 2019. Mas Flavinha, que é colega de Rebeca na Flamengo, competiu os Jogos de Tóquio lesionada, a lesão no tornozelo se agravou nas Olimpíadas, e agora ela está tratando do problema. Por isso, não foi convocada.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado inicialmente, a medalhista de bronze, Mai Muramak, somou 13,733, não 14,733. O erro foi corrigido no texto.