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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Ouro em Tóquio, Hebert admite que pode virar profissional já este ano

Hebert Conceição comemora o nocaute que garantiu a medalha de ouro no boxe dos Jogos Olímpicos de Tóquio - Xinhua/Ou Dongqu
Hebert Conceição comemora o nocaute que garantiu a medalha de ouro no boxe dos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Xinhua/Ou Dongqu
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/10/2021 18h12

O cruzado de esquerda que jogou na lona o ucraniano Oleksandr Khyznhiak pode ter sido o último golpe de Hebert Conceição no boxe dito amador. O baiano, campeão olímpico por nocaute na categoria até 75 quilos em Tóquio, tem sondagens para seguir para o boxe profissional e não descarta fazer a migração ainda este ano.

"Há possibilidade sim de se tornar profissional e que vai pesar é a questão financeira. Sou um cara de família humilde, tenho minhas ambições também. Não estou no boxe em busca de dinheiro, amo o que eu faço, amo lutar boxe, mas a questão financeira ela pesa na minha decisão. Ainda não tenho nada decidido, mas tenho analisando algumas coisas, calculando algumas questões", disse Hebert em live do Museu do Futebol e do site Olimpíada Todo Dia.

O momento é considerado ideal para que Hebert assine um contrato profissional. Hoje ele é o grande nome da categoria até 75kg e vem de um uma vitória histórica por nocaute em uma final olímpica. Aos 23 anos, Hebert só deverá conseguir uma proposta ainda melhor se vier a ser campeão mundial em 2023, e/ou repetir o ouro olímpico em Paris. O baiano tem potencial para isso, mas precisaria pagar para ver.

"Já recebi sondagens e a gente está tentando montar alguma coisa que eu consiga chegar em algo que eu possa comparar, ver que será mais vantajoso. Se até 2024 eu vou capitalizar proporcional a assinar um contrato profissional, se minha rotina vai ser mais vantajosa. A questão financeira é o que vai pesar. Acredito que até dezembro vou tornar pública essa decisão. Por enquanto ainda sou um atleta olímpico de boxe", comentou na live.

Hebert tem uma lesão na mão desde antes da Olimpíada e, com a alegação de que precisa tratá-la, não participou nem do Mundial Militar, obrigatório para os atletas da equipe de alto rendimento das Forças Armadas, como é o caso dele, nem está inscrito no Campeonato Mundial "civil", que começa no próximo domingo.

Por trás da decisão, a certeza de que Hebert não tinha nada a ganhar nesses dois torneios, enquanto negocia um contrato profissional. Pelo contrário: corria o risco de ser derrotado e ver seu valor de mercado cair. "Lógico que o sarrafo sobe, a cobrança aumenta, e a minha cabeça é a mais caçada. Todo mundo quer ganhar do campeão, quer mostrar serviço. Tenho que estar 100% preparado. Não posso me dar ao luxo de disputar um Mundial sem as condições necessárias. Quero manter meu alto nível para continuar trazendo medalhas para o Brasil", justificou o boxeador.

O Brasil disputa o Mundial Masculino, em Belgrado, com dez atletas: Ronaldo Bezerra (51kg), Michael Douglas (54kg), Luiz Gabriel Oliveira (57kg), Nicolas de Jesus (63kg), Wanderson Oliveira (67kg), Luiz Fernando (71kg), Wanderley Souza (75kg), Isaías Filho (80kg), Keno Machado (86kg) e Abner Teixeira (92kg).