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REPORTAGEM

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Zé Roberto recebe sondagens após apelo e tenta manter time vice-campeão

José Roberto Guimarães, técnico do Barueri - Johnny Nikolaídis
José Roberto Guimarães, técnico do Barueri Imagem: Johnny Nikolaídis
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/10/2021 04h00

Após ver seu time derrotar o Sesi/Bauru em um duelo de Davi contra Golias e se classificar à final do Campeonato Paulista Feminino de Vôlei, há uma semana, José Roberto Guimarães fez um apelo emocionado em rede nacional. Ao vivo no SporTV, o técnico da equipe de Barueri alertou: "Precisamos de ajuda e apoio para esse projeto tão bonito não morrer".

Depois disso, torcedores da equipe e fãs de vôlei de forma geral, que se referem às jogadoras como as "Chiquititas", iniciaram campanhas online para pedir que empresas olhem com carinho o projeto de Zé Roberto na cidade da Grande São Paulo. O treinador, que é dono do centro de treinamento onde o time treina, tem bancado a equipe com recursos do próprio bolso. Os poucos patrocinadores ajudam com permutas de uniforme (Hummel) e cuidados de saúde (Prevent Senior), o salário das atletas é pago pelo próprio técnico.

Na última semana, Zé Roberto viu uma luz no fim do túnel. "A gente tem empresas querendo saber do projeto, querendo marcar reuniões para conversar. Isso é ótimo para a gente ter uma esperança de que as coisas podem acontecer. Senão, realmente vai acabar. A gente precisa continuar tendo essa possibilidade de alguém nos ajudar", afirmou o treinador.

Com orçamento baixo na comparação com os clubes mais ricos do país —Minas, Praia Clube, Osasco e Sesi, especialmente— Zé Roberto tem apostado em manter em Barueri um elenco jovem, com algumas das melhores jogadoras sub-23 do país. Mas, sem conseguir equiparar os salários dos times mais ricos, todo ano o Barueri revela jogadoras e as perde no fim da temporada. Foram cinco baixas em 2020 e mais cinco agora. "A gente quer manter essas jogadoras durante quatro, cinco anos juntas. Participando, treinando, ganhando, perdendo", disse.

Apesar da dificuldade para dar continuidade ao trabalho, Zé Roberto tem colhido frutos. No Paulista, eliminou o favorito Sesi/Bauru e se classificou para a final contra o Osasco. Nos dois jogos da final, porém, o Barueri passou longe de repetir o nível de atuação das semifinais e perdeu ambos por 3 sets a 0, sem nem sequer ameaçar o rival e vizinho, campeão estadual pela 16ª vez.

"Acho que faz parte do crescimento delas. A gente tem que agradecer ter chegado à final e jogar com um time como Osasco. É uma coisa que, para a gente, já é muito importante. Ter conseguido chegar até aqui foi um salto bastante grande", avalia o treinador.

Com contrato renovado para continuar como técnico da seleção brasileira de vôlei até os Jogos Olímpicos de Paris, daqui a três anos, Zé Roberto tende a utilizar com mais regularidade jogadoras que passaram pelo clube recentemente. No Pan Júnior de Cali (Colômbia), a seleção sub-23 treinada pelo auxiliar Wagão terá cinco jogadoras de Barueri —Jheovana, Lorrayna, Lorenna, Diana e Jack—, além de Kenya, que jogou pelo clube na temporada passada e se transferiu para Osasco.

Apesar de, por enquanto, o time não ter patrocinador, Zé Roberto assegura que não há risco de a equipe acabar ainda esta temporada. O Barueri vai jogar a Superliga e honrar os compromissos com as jogadoras. "A gente assumiu a responsabilidade de iniciar, a gente vai até o final. Aconteça o que acontecer, a gente vai até o final honrando os compromissos. Se tiver que vender coisas, se tiver que fazer o que for preciso, a gente vai honrar os compromissos. Essas jogadoras também têm seus compromissos, suas famílias, suas vidas".