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REPORTAGEM

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Bi da Superliga, Taubaté consegue na Justiça direito de se mudar para Natal

Após bicampeonato da Superliga, Funvic Taubaté se muda para Natal-RN - Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Após bicampeonato da Superliga, Funvic Taubaté se muda para Natal-RN Imagem: Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/09/2021 17h13

O clube que é o atual bicampeão brasileiro masculino de vôlei atuando em Taubaté, no interior de São Paulo, conseguiu na Justiça o direito de disputar a próxima edição da Superliga em Natal, no Rio Grande do Norte. A decisão liminar, porém, obriga a equipe a depositar R$ 300 mil de caução, valor que a agremiação alega não ter que pagar.

Conhecido como "Vôlei Taubaté", o time joga a Superliga, na verdade, com o CNPJ da Fundação Universitária Vida Cristã (Funvic), uma fundação educacional que atua como universidade com sede em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. Foi lá que o projeto do time de vôlei surgiu, em 2004. A equipe depois jogou em Cuiabá (MT), novamente em Pinda, e desde 2013 estava em Taubaté, também no Vale do Paraíba.

Ali, com forte apoio da prefeitura, então comandada por Bernardo Ortiz Júnior (PSDB), o time se tornou uma potência mundial e chegou ao bicampeonato nacional nas últimas duas temporadas. No último título, tinha boa parte da base da seleção brasileira: Bruninho, Felipe Roque (que não foi aos Jogos Olímpicos de Tóquio por lesão), Lucão, Maurício Souza, Maurício Borges, Douglas Souza e Thales.

Com a troca no comando da prefeitura, porém, a estreita ligação entre o governo municipal de Taubaté e o time foi rompida e o clube ficou devendo para vários jogadores ao fim da temporada. A Funvic conseguiu fazer acordos com os atletas para que eles assinassem os documentos necessários para a inscrição na próxima edição da Superliga, mas passou a procurar uma nova casa, encontrando-a em Natal.

O regulamento da Superliga, porém, exige o pagamento de diversas taxas para a transferência de um clube entre duas federações. Sem esses pagamentos, a CBV diz que o antigo Vôlei Taubaté não manda seus jogos em Natal. Já o clube alega que as cobranças são irregulares e, por isso, foi à Justiça.

A liminar saiu ontem (14), pela 1ª Vara Cível do Rio, assinada pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, que determinou que a CBV faça a inscrição do clube, mas também deu 48 horas para a Funvic depositar um caução.

Em Natal, o clube não tem mais seu antigo gestor, Ricardo Navarras, que agora trabalha no time de São José dos Campos, que por sua vez era o Vôlei Um/Itapetininga até a temporada passada e também precisou mudar de sede por desacordos com a prefeitura local. Mas no caso do São José, não houve cobrança de taxa porque não houve mudança de federação.

O técnico do Funvic/Vôlei Natal continua a ser o argentino Javier Weber, mas quase todos os selecionáveis foram embora: Bruninho, Douglas Souza, Lucão, Maurício Borges, Maurício Souza, Thales, João Rafael e Rapha. Só ficou Felipe Roque, que está machucado e não volta às quadras esse ano.

Com base em Natal, o clube já nem está jogando o Campeonato Paulista, torneio liderado pelo Vedacit/Vôlei Guarulhos. A competição, que abre a temporada, conta com oito clubes, dos quais só quatro deles estão confirmados na Superliga: o Guarulhos, o Vôlei Renata, de Campinas, o Farma Conde Vôlei, de São José dos Campos, antigo Itapetininga, e o tradicional Sesi. O projeto de Ribeirão Preto, que vinha participando da Superliga, foi encerrado.