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Olhar Olímpico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Yasmin Brunet não é a vilã na vida de Gabriel Medina

Yasmin Brunet e Gabriel Medina - Reprodução/Instagram
Yasmin Brunet e Gabriel Medina Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

29/06/2021 04h00

Gabriel Medina é um homem de 27 anos, um dos esportistas mais bem pagos do país, e único responsável pelas decisões que toma em sua própria vida. Seja na profissional, o que inclui a besteira de entrar em rota de colisão com o COB por uma credencial para a Olimpíada, seja na pessoal, tendo se afastado, sabidamente, da família, e, pelo que se noticia, dos amigos.

Já escrevi aqui, e volto a opinar que Medina parece garoto mimado nessa briga com o COB. Só duas brasileiras podem levar familiares para a Olimpíada, para cuidar do que elas vão comer, fazer companhia, ajudar mandando boas energias. Uma tem 13 anos. A outra, 15. E ambas serão acompanhadas dos pais (mãe uma, pai outra) porque são, no máximo, adolescentes.

Quando todas as atenções deveriam estar voltadas à Olimpíada, ao treinamento, à visibilidade de atletas que a maior parte do tempo são invisíveis, Medina busca ser protagonista criando um conflito infantil do COB porque quer levar Yasmin como seu "estafe" — palavras dele.

Só que atleta não tem "estafe" na Olimpíada. Tem oficial técnico, normalmente escolhido pela confederação. Com um presidente agarrado ao poder, contra a vontade da comunidade, a CBSurfe nem isso fez. E aí cada atleta pôde indicar um "oficial técnico" para o time, para trabalhar para todos os quatro surfistas brasileiros. O COB já tem nutricionista, psicólogo e outros profissionais, à disposição de Medina, nas funções que Yasmin supostamente cumpre na carreira dele.

Acontece que a culpa dessa barbeiragem, que mancha a imagem de Medina, é dele, e somente dele. Não faz diferença a influência de Yasmin sobre essa postura do surfista, se enorme ou nenhuma. Afinal, a relação de atleta profissional de Medina com a confederação, com o comitê olímpico, não passa pela esposa. Cabe a Medina filtrar o melhor e o pior da influência de seus patrocinadores, familiares, amigos, mulher... e escolher o que acha melhor para si.

O mesmo vale na vida profissional. Ontem a colunista de fofoca Fábia Oliveira, do jornal O Dia, publicou que Medina se afastou do grupo de amigos com Neymar, Bruninho, Luciano Huck e outros. E contou isso com o seguinte título: "Diretoria dos 'parça' sofre racha por causa de Yasmin Brunet". O texto ainda traz termos machistas, para descrever a modelo: 'maluca', 'doente de ciúmes', 'controladora'.

Oras, se Medina se afastou desses amigos (ao mesmo tempo em que se aproximou muito dos demais brasileiros da elite do surfe), a responsabilidade é de Medina, e só de Medina. A matéria diz que ele não atende mais as ligações dos "parças". Ué, se o telefone é dele e ele não atende, o responsável é ele. Quem pode colocar o dedo na tela, arrastar para cima e dizer "alô" é ele.

Depois do início da relação com Yasmin, Medina se afastou dos pais, rompeu a relação profissional com o padrasto, mudou a alimentação, chegou à melhor forma da sua carreira como surfista. Mas Yasmin pode ter, no máximo, influência nisso tudo. Pequena ou grande. No fim das contas, para o bem e para o mal, a responsabilidade é sempre de Gabriel Medina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL