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Olhar Olímpico

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Zé Roberto leva para Tóquio o time que o torcedor também levaria

Brasileiras festejam vaga na final da Liga das Nações de Vôlei - Divulgação/FIVB
Brasileiras festejam vaga na final da Liga das Nações de Vôlei Imagem: Divulgação/FIVB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/06/2021 11h19

Não que exista alguém que entende mais de seleção brasileira feminina de vôlei do que José Roberto Guimarães. Mas quando se trata de uma seleção desse porte, o país tem milhões de treinadores. E a boa parte deles levaria para Tóquio as mesmas 12 convocadas anunciadas hoje (26) por Zé Roberto: Macris e Roberta; Natália, Gabi e Garay; Tandara, Rosamaria e Ana Cristina; Gattaz, Carol e Bia; e finalmente Camila Brait.

De forma geral, é uma convocação sem grandes polêmicas. Zé Roberto vinha trabalhando com um grupo de 18 atletas na Liga das Nações, na Itália, sabendo que precisaria fazer seis cortes pensando na Olimpíada. A surpresa foi apenas por ele anunciar essa decisão já na manhã do dia seguinte à final, em que o Brasil ficou com a prata, perdendo dos Estados Unidos. Não esperou nem o grupo chegar ao Brasil.

As escolhidas refletem o que foi a temporada do Brasil na Liga das Nações. Gabi, Natália, Garay e Tandara eram nomes certos desde sempre, as únicas quatro que já têm experiência olímpica. Macris, levantadora titular, e Brait, melhor líbero do país há anos, também já estavam com os passaportes carimbados. Nas outras vagas, as dúvidas parecem terem sido tiradas na quadra.

Roberta jogou muito mais que Dani Lins na Liga das Nações. A segunda foi a escolhida para ser reserva na decisão, mas não correspondeu. Falhou em momentos decisivos e foi muito criticada nas redes sociais. Sheilla, surpresa de Zé para a Liga das Nações, aos 37 anos e sem ritmo de jogo, não justificou a aposta.

Ninguém ficaria surpreso se o treinador a levasse a Tóquio mesmo assim, pela experiência e liderança, mas ele fez o contrário. Escolheu Ana Cristina, de apenas 17 anos, recém-chegada à seleção e nome para o futuro. Talvez não jogue muito tempo em Tóquio, mas a oportunidade de estar em uma Olimpíada agora pode fazer a diferença para o Brasil mais para frente.

A outra vaga no ataque ficou com Rosamaria, que mostrou-se versátil. Tudo bem que na ponta o Brasil já tem uma craque no banco (Gabi, Natália e Garay disputam duas posições), mas Rosamaria deixou claro na Liga das Nações que pode jogar por ali em uma necessidade. Além disso, correspondeu diversas vezes nas inversões 5-1 tradicionais no vôlei, como oposta. Acabou vencendo a disputa com Lorenne, ausência mais sentida na convocação, principalmente depois da ótima Copa do Mundo que ela fez em 2019.

Por fim, no meio de rede, Gattaz carimbou o passaporte na quadra, sendo eleita a melhor bloqueadora da Liga das Nações. Mais velha do elenco, vai para sua primeira Olimpíada, sem qualquer contestação. Já a outra vaga de central no time titular hoje é de Carol.

A indefinição ficou, então, para a central reserva. E aí é que entra o único ponto em que há algum debate mais prolongado. Bia não fez uma boa Liga das Nações, mas foi titular a maior parte do ciclo olímpico e tem a confiança do treinador. Como nenhuma outra central fez uma Liga das Nações indiscutível, Bia acabou sendo escolhida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL