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Agora mãe, Allyson Felix se classifica para sua quinta Olimpíada

Allyson Felix celebra após terminar em segundo na corrida dos 400m na seletiva americana - Kirby Lee/USA TODAY Sports
Allyson Felix celebra após terminar em segundo na corrida dos 400m na seletiva americana Imagem: Kirby Lee/USA TODAY Sports
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/06/2021 13h07

Uma das vozes mais relevantes do esporte mundial, Allyson Felix estará em Tóquio. A velocista norte-americana de 35 anos, dona de nove medalhas olímpicas, conseguiu a classificação para sua quinta Olimpíada ao ficar em segundo lugar na prova de 400m rasos na seletiva norte-americana, que está acontecendo no Oregon.

Felix é a maior campeã da história dos Campeonatos Mundiais de Atletismo, com 13 medalhas de ouro, e venceu o 4x400m em Pequim-2008, Londres-2012 e na Rio-2016. Ela se tornou mãe em novembro de 2018, quando deu luz à menina Camryn. Sete meses depois, publicou um duro artigo no jornal The Ney York Times acusando a Nike de penalizar atletas que tiraram licença maternidade. Segundo ela, a Nike lhe ofereceu um contrato com valores menores após ela ser mãe.

A partir dali, Felix se tornou um exemplo para a luta das mulheres por maior aceitação à maternidade no esporte de alto rendimento. "A sociedade nos diz muitas vezes que, se você tem um filho, seus melhores momentos ficam para trás. Mas não é absolutamente o caso. Eu sou uma representação disso", disse ela depois de conquistar a vaga olímpica.

Curiosamente, ela foi superada na seletiva americana por outra atleta que foi mãe recentemente, Quanera Hayes, que competiu sob os olhares atentos do filho Demetrius, de dois anos, mesma idade da filha de Felix, que também estava presente ao estádio. Na seletiva americana, os três primeiros colocados de cada prova, desde que já tenham obtido o índice exigido internacionalmente, se classificam para Tóquio.

Agora que o 4x400m misto é prova olímpica, Felix tem tudo para, em Tóquio, bater o recorde histórico de medalhas no atletismo olímpico. Ela tem nove e precisa mais uma para igualar Carl Lewis. Com três, empate com Paavo Nurmi, da Finlândia, um corredor da década de 20 que se destacou principalmente no cross-country, que hoje não é mais disputado na Olimpíada.

EUA definem seus times

Como esperado, a seletiva do atletismo americano começou fortíssima. Logo no primeiro dia, sexta, Ryan Crouser bateu o recorde mundial do arremesso de peso, 23,37m. Essa prova interessa especialmente os brasileiros porque Darlan Romani é candidato a medalha em Tóquio e tem os americanos como grandes rivais. Na seletiva, Joe Kovacs fez 22,34m e a terceira vaga ficou com Payton Otterdahl, com 21,92m. Darlan tem 22,61m como recorde sul-americano.

Ontem (20) aconteceu a prova mais esperada da seletiva, que vai até domingo que vem: os 100m masculinos. A vitória ficou com Trayvon Bromell, grande candidato à medalha de ouro em Tóquio. Ele correu a distância em 9s80. Na Olimpíada, terá a companhia de Ronnie Baker (9s85) e Fred Kerley (9s86). O veterano Justin Gatlin, de 39 anos, sentiu uma lesão muscular e completou em último.

Também ontem foi anunciada a equipe de 50 atletas que vai representar os Estados Unidos na natação, em busca de manter a hegemonia do país que já dura mais de 50 anos em Jogos Olímpicos. A convocação aconteceu depois do fim da seletiva realizada em Omaha.

O destaque ficou, claro, para Caeleb Dressel, que vai brigar por sete medalhas de ouro em Tóquio. Ontem ele igualou seu próprio recorde americano nos 50m livre (21s04), depois de vencer a seletiva também nos 100m livre e nos 100m borboleta. Na Olimpíada ele ainda deve participar dos revezamentos 4x100m livre, 4x200m livre, 4x100m medley e 4x100m medley misto.

Outro atleta para ficar de olho em Tóquio é Michael Andrew, que bateu duas vezes o recorde americano dos 100m peito (onde está longe de ser favorito ao ouro) e pegou vaga também nos 200m medley e 50m livre. Assim como Dressel, ele deve nadar vários revezamentos.

Katie Ledecky, por sua vez, se classificou em quatro provas: 200m, 400m, 800m e 1.500m. Depois de ganhar cinco provas no Rio, ela vai tentar seis ouros em Tóquio, uma vez que também estará no 4x200m livre. Ainda ontem, Simone Manuel, primeira mulher negra campeã olímpia na natação, venceu os 50m livre e se garantiu em Tóquio. Ela havia falhado nos 100m livre, prova em que é bicampeã mundial.