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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Organizador não descarta GP da Fórmula 1 com capacidade total de Interlagos

Detalhe do Autódromo de Interlagos na cidade de São Paulo - Duda Bairros/AGIF
Detalhe do Autódromo de Interlagos na cidade de São Paulo Imagem: Duda Bairros/AGIF
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

18/06/2021 11h43

Os organizadores do GP São Paulo de Fórmula 1, novo nome do antigo GP Brasil, começam hoje (18) a vender ingressos para a corrida prevista no calendário da categoria para o dia 7 de novembro. Por enquanto estão disponíveis tíquetes para a ocupação de metade da capacidade do autódromo de Interlagos, o que significa 40 mil pessoas por dia, mas os promotores acreditam que, com o avanço da vacinação no país, será possível até mesmo lotar as arquibancadas.

"A gente vai preparar o evento todo para ter 100%. Para ter 50%, você precisa estar com a 100% da capacidade instalada, para poder ter os 50% disso. A partir daí a gente vai ver se consegue ter a capacidade total na ocasião. É uma decisão que vai ter que ser feita olhando a pandemia, vacinação. A gente es falando de um evento controlado, com todos os controles possíveis", afirmou ao Olhar Olímpico o promotor Alan Adler, escolhido pela gigante internacional IMM para liderar a Brasil Motorsport, empresa aberta para promover a corrida.

O empresário diz que precisa trabalhar com o pensamento a longo prazo, mais especificamente no dia da corrida. E que o otimismo vem pelo cenário que se desenha, de todos os brasileiros de mais de 18 anos vacinados com ao menos uma dose da vacina nessa data.

"Para a maioria das pessoas que estão vivendo o dia a dia é difícil entender que você tem que pensar com a cabeça do dia 7 de novembro. Olhando todos os parâmetros, conversando com todo mundo que a gente conversou, médicos, secretarias de saúde, as projeções indicam que a gente vai estar com a pandemia sob controle quando chegar o GP", afirmou.

O discurso encontra respaldo na contratante da corrida, a prefeitura de São Paulo, que pagou US$ 25 milhões (R$ 125 milhões) à Fórmula 1 pelo GP de 2021, e outros R$ 20 milhões à empresa de Adler pela promoção do evento. Ontem (17), antes de abrir a venda de ingressos, o empresário se reuniu com o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Também participaram, entre outros, o CEO da F1, Stefano Domenicalli, e o secretário paulista de Saúde, Jean Gorinchteyn.

Mas não são apenas questões locais que precisam ser resolvidas. A maior parte do circo da Fórmula 1 viaja a partir da Grã-Bretanha, país que tem o Brasil na sua "lista vermelha", para onde não se pode viajar. Hoje, parte expressiva do circo não conseguiria vir da Grã-Bretanha a São Paulo e voltar. Mas Adler confia que essa regra muda até novembro.

"Esse é um tema que a gente não controla. A opinião da Formula 1, e eles estão mais em contato com o governo britânico, estão mais perto, é que essa situação vai estar contornada na época do GP. Quando cancelaram o GP da Turquia era completamente diferente, a Inglaterra ainda estava numa situação bem diferente de hoje. Além disso, a bolha da F1 tem resultados muito bons, os resultados positivos [para covid] são muito pequenos", diz.

Sem saber com 100% de certeza se haverá corrida em novembro e se essa eventual corrida poderá ter público, os organizadores abrem hoje, às 19h, a venda de ingressos. Ainda não está decidido, porém, como o torcedor será compensado caso o ingresso perca utilidade. As duas opções possíveis são as duas previstas em lei.

"A gente vai seguir o que está na lei, que diz que tem que substituir para o evento do ano que vem ou devolver o dinheiro. O cara que comprar ingresso vai saber da regra", diz ele, informando que essa decisão, de devolver o dinheiro ou adiar o ingresso, só será tomada quando e se essa necessidade se tornar real. Adler, porém, ressalta que tem se reunido com o Procon para discutir o assunto.