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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Protocolo olímpico prevê até deportação por descumprir medidas sanitárias

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/06/2021 12h17

O Comitê Organizador de Tóquio-2020 publicou hoje a terceira e definitiva versão do playbook dos atletas, como foi nomeado o livro que determina os protocolos sanitários da Olimpíada. Entre as novidades dessa atualização estão punições em casos de descumprimento das medidas contra a covid, e elas vão de advertência a deportação.

"Esperamos que todos sigam as regras. Mas também temos que estar cientes de que pode haver infrações", comentou o diretor de operações dos Jogos Olímpicos, Pierre Ducrey, "Sim, esperamos que você siga as regras, mas se não o fizer, haverá sanções que podem vir em sua direção", alertou.

A nova versão do playbook dos atletas tem 70 páginas e descreve diversos protocolos que precisam ser seguidos. Nos próximos dias serão lançados também os livros de regras da imprensa e de árbitros, entre outros, que seguem as mesmas diretrizes.

Cada equipe tem um Covid Liaison Officer, que está sendo conhecido pela sigla GLO, que é o responsável pelo cumprimento dos protocolos por todos daquele time. Isso inclui o acompanhamento para que os atletas não deixem de se submeterem a testes e não deixem a bolha olímpica, por exemplo. Mesmo equipes jornalísticas, como do UOL, têm seu CLO, que serão cerca de 3.000 em Tóquio.

Quem descumprir os protocolos pode receber advertência e até mesmo ter a credencial retirada temporária ou definitivamente, o que levaria à deportação, uma vez que a credencial olímpica serve como visto de entrada e permanência no Japão. Além disso, os atletas estão sujeitos a serem excluídos temporariamente ou permanentemente do movimento olímpico, serem desclassificados de Tóquio-2020 e até mesmo receberem sanções financeiras, em valores que não foram ainda definidos.

Hidemasa Nakamura, oficial de entregas para Tóquio 2020, disse que a expectativa é que tamanha rigidez aumente a confiança dos japoneses na segurança dos Jogos. Segundo ele, o governo japonês advertiu que os participantes dos Jogos poderiam ser deportados se cometerem uma "violação maliciosa", incluindo um "risco à saúde ou à vida de alguém".

Os atletas serão testados diariamente, com expectativa de que o resultado saia depois de 12 horas. Em caso de resultado positivo, o atleta volta a ser testado, com PCR, dali a no máximo cinco horas. Para os jornalistas a testagem será menos regular, a cada quatro dias.

No total, mais de 93 mil pessoas devem ser credenciadas para os Jogos, incluindo atletas, treinadores, dirigentes, patrocinadores, imprensa e toda a força de trabalho que coloca a Olimpíada e a Paraolimpíada de pé. Entre os habitantes da Vila Olímpica, a expectativa é que mais de 85% deles chegue ao Japão já vacinada com as duas doses da vacina.