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Olhar Olímpico

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Com vagas na ginástica e natação, Brasil ultrapassa 250 atletas em Tóquio

Conjunto da ginástica rítmica classificado para Tóquio - Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG
Conjunto da ginástica rítmica classificado para Tóquio Imagem: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

14/06/2021 11h47

O Brasil terá mais de 250 atletas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que começam daqui a 39 dias. No fim de semana, o conjunto brasileiro da ginástica rítmica conseguiu a classificação ao vencer o Pan disputado no Rio de Janeiro. Ontem (13), Manoel Messias carimbou o passaporte no triatlo. Hoje (14) a natação comemorou o fato de a Grã-Bretanha ter desistido de levar seu revezamento 4x200m livre feminino, abrindo a vaga para o Brasil. Mas caratê e nado artístico falharam nos Pré-Olímpicos.

Na ginástica rítmica, o Brasil conquistou uma vaga que parecia improvável há dois anos, quando ficou atrás de México e Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos. Competindo em casa, no Rio, agora no Campeonato Pan-Americano, aproveitou-se de um erro das mexicanas, que deixaram cair uma maça na segunda apresentação, e venceram com 74,400 pontos, contra 73,700 das mexicanas, que haviam sido superiores no primeiro dia. O conjunto brasileiro foi formado por Duda Arakaki, Beatriz Linhares, Deborah Medrado, Geovanna Santos da Silva, Bárbara Galvão e Gabrielle Moraes.

No individual, porém, não houve como. Bárbara Domingos até foi bem no arco, nas maças e na fita, mas cometeu uma falha na apresentação com a bola. Melhor para a mexicana Rut Castillo, que levou a melhor. Somou 91,500 pontos, contra 89,250 da brasileira, ficando com a única vaga em disputa. Natália Gaudio acabou longe, com 84,550, em terceiro.

Enquanto isso, na Espanha, o dueto brasileiro de nado sincronizado foi apenas o 12º colocado no Pré-Olímpico Mundial disputado em Barcelona. Luisa Borges e Laura Micucci somaram 162,3 pontos, contra 166,0 da Colômbia, que pegou a última vaga. O desempenho é vexaminoso para o Brasil, que desde 2000 classificava um dueto para a Olimpíada, variando entre o 12º e 13º lugar nos Jogos. Agora o país não está nem entre os 20 melhores do mundo.

No caratê o sentimento também é de enorme frustração. Medalhista de Mundiais recentes com três atletas, o Brasil não deverá ter nenhum representante em Tóquio, na primeira (e provavelmente última) incursão olímpica da modalidade, que já não está no programa de Paris-2024. Antes da pandemia, Vinicius Figueira chegou a ser classificado para os Jogos, mas a federação internacional resolveu incluir novos torneios após o adiamento dos Jogos, e ele se deu mal.

Vinicius até chegou às quartas de final do Pré-Olímpico disputado na França no fim de semana, mas só os três primeiros colocados de cada categoria conseguiam vaga olímpica. Douglas Brose e Valéria Kumizaki pararam nas oitavas. Valéria tem uma chance remota de ir a Tóquio, por um sistema complexo, que pode classificá-la pelo ouro nos Jogos Pan-Americanos. Essa situação, porém, é improvável.

No triatlo, a vaga olímpica no masculino veio pelo ranking mundial, depois de Manoel Messias ser prata na etapa de Copa do Mundo disputada no México, que também teve Miguel Hidalgo em terceiro. Com isso, a modalidade terá três representantes em Tóquio, todos jovens e novatos. No feminino, Luisa Baptista e Vittoria Lopes já estavam classificadas.

Na natação são duas boas notícias. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) foi informada que a Grã-Bretanha desistiu de levar seu revezamento 4x200m livre feminino, que tinha vaga olímpica, mas não atingiu o índice exigido internamente pelos britânicos. Assim, a equipe quinta colocada da "repescagem" (ranking mundial, entre os países sem vaga direta) foi chamada: o Brasil. O time é formado por Larissa Oliveira (que já estava convocada para outros revezamentos), Aline Rodrigues, Nathalia Almeida e Gabrielle Roncatto, sendo que essas três últimas foram convocadas agora.

Além disso, a Federação Internacional de Natação (Fina), que trocou de presidente na semana retrasada, atendeu ao apelo do Brasil e classificou o Troféu Brasil de 2019 como válido para obtenção de índices para a Olimpíada. O torneio estava dentro da janela internacional, mas não estava listado, porque o Brasil não pediu que o fosse. Com essa mudança retroativa, Etiene Medeiros e Caio Pumputis, que já estavam convocados para Tóquio, poderão também nadar os 50m livre (ela) e os 100m peito (ele) na Olimpíada, porque fizeram índice nesse Troféu Brasil.

No fim de semana também aconteceu o Troféu Brasil de Atletismo, em São Paulo, mas nenhum novo índice olímpico foi estabelecido. Por enquanto a delegação da modalidade tem 23 atletas, mas a lista pode chegar a 51 considerando vagas pelo ranking mundial. Pensando no tamanho da delegação em Tóquio, a notícia mais importante veio da Austrália, onde o time local do 4x100m feminino não conseguiu ultrapassar o Brasil no ranking mundial. São duas vagas em jogo e o Brasil, por enquanto, está com a primeira delas. Impossibilitado de competir no exterior, o revezamento brasileiro torce principalmente contra nigerianas e canadenses.

Antes, na sexta-feira, o levantamento de peso atribuiu vagas aos países pelo ranking mundial e confirmou a classificação de Fernando Saraiva (+105kg) e surpreendeu com uma vaga para Jaqueline Ferreira (até 87kg). Na categoria dela, seis países das Américas conseguiram pegar uma das oito vagas diretas por estarem no topo do ranking, o México perdeu foi punido por excesso de casos de doping, perdendo vagas em Tóquio, e a classificação acabou caindo no colo de Jaqueline, 22ª do mundo, pela cota continental.