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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bia e Suelen são bronze no Mundial, mas uma vai ficar fora de Tóquio

Maria Suelen, a técnica Rosicleia Campos, e Bia Souza - Lara Monsores/CBJ
Maria Suelen, a técnica Rosicleia Campos, e Bia Souza Imagem: Lara Monsores/CBJ
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/06/2021 12h23

O judô brasileiro viveu dois momentos históricos hoje (12), um atrás do outro. Primeiro Beatriz Souza venceu a francesa Julia Toloufa por imobilização e ganhou a sua primeira medalha em Campeonatos Mundiais adultos, aos 23 anos. Depois, Maria Suelen Altheman também faturou o bronze, derrubando Idalys Ortiz, de Cuba, na primeira vitória sobre sua arquirrival depois de incríveis 17 derrotas em 17 lutas, no que era uma das maiores freguesias do esporte mundial. Só em Mundiais Ortiz já havia vencido quatro vezes, sendo duas em finais e outras duas em semifinais.

Tanto Suelen quanto Bia são da categoria peso pesado e a Olimpíada só permite a inscrição de um atleta por país por categoria, o que significa que uma delas será convocada para Tóquio, e a outra não. A decisão será dos técnicos da seleção brasileira, que deverão se reunir tão logo termine o Mundial, amanhã (13), para tomar essa decisão.

No masculino também existia certo equilíbrio entre Rafael Silva e David Moura. Mas hoje David perdeu logo na segunda luta, nas oitavas de final, terminando em nono, enquanto Baby foi até a disputa pelo bronze, acabou derrotado, e ficou em quinto. Pelo Instagram, David parabenizou o rival pela vaga olímpica, uma vez que a diferença entre eles no ranking, que já é de mais de 700 pontos, mais aumentar.

No feminino será uma escolha duríssima. Suelen tem vantagem de menos de 500 pontos no ranking mundial, mas por causa da primeira fase da corrida olímpica, que considerou o primeiro semestre de 2018 e o segundo semestre de 2019, quando Bia ainda estava chegando à categoria adulta.

Considerando as competições mais recentes, o equilíbrio é impressionante. Ambas foram quintas colocadas no Mundial de 2020 e se igualaram em bronze no torneio de 2021. Cada uma ganhou um Campeonato Pan-Americano. A diferença é que, nos quatro Grand Slams desde a volta das competições em meio à pandemia, Bia faturou uma prata e três bronzes, enquanto Suelen ganhou quatro bronzes. Nos confrontos recentes entre elas na retomada das competições, uma vitória para cada.

Assim, vai caber à comissão técnica definir quais critérios são mais relevantes. A experiência de Maria Suelen, de 32 anos, que já tinha duas pratas em Mundiais, foi a duas Olimpíadas e mostrou evolução ao finalmente vencer Ortiz, ou se a juventude de Bia, de 23, que vem numa crescente depois de ganhar três medalhas em Mundiais de base, no cadete e no júnior.

Entre os homens a vaga parece justa para Baby, que já tem dois bronzes olímpicos e vai em busca da terceira medalha. Aos 34 anos, ele foi prata em dois dos três Grand Slam's que disputou no ano e ganhou o Campeonato Pan-Americano. No Mundial, caiu na semifinal para o japonês Kokoro Kageura, e na disputa do bronze para o holandês Roy Meyer.