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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Jogadoras tapam marcas com esparadrapo e ganham queda de braço contra a CBV

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Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/05/2021 16h43

As jogadoras da seleção brasileira feminina de vôlei venceram a queda de braço que vinham travando nos bastidores contra a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Em postura que vinha sendo considerada intransigente pelas esportistas, a entidade havia exigido que vários atletas usassem calçados da marca Asics, que patrocina a confederação, sob risco de multa pesada. Hoje (26), após o segundo jogo da seleção feminina na Liga das Nações, a CBV recuou.

"Em novo alinhamento entre a CBV e a Asics, fica acordado que cada atleta terá direito de escolha para selecionar seu calçado nos momentos de treino e competição, desde que comprovado vínculo contratual com outra marca esportiva, agora sem data limite para apresentação do mesmo, ou mediante recomendação médica", disse a CBV, em nota.

A CBV já exigia, no contrato coletivo de cessão de imagem dos atletas da seleção à confederação, o uso de calçados da marca Asics, mas abria exceção para atletas patrocinados por outras marcas, especialmente Nike e Adidas, mas também da Olympikus — caso de Bruninho, por exemplo.

No dia 19 de maio, a confederação enviou e-mail aos jogadores das seleções masculina e feminina informando que passaria a exigir, para a exceção, que houvesse um contrato formalizado entre as marcas concorrentes e os atletas, não apenas acordos de permuta, informais e mais comuns.

Vários atletas correram para assinar contratos, mas a CBV posteriormente avisou que não aceitaria acordos assinados depois do envio daquele e-mail de um mês atrás. E passou a exigir que os atletas exibissem, para a confederação, seus contratos privados com as marcas, o que eles não toparam.

Os debates internos prosseguiram e, um dia antes do início da Liga das Nações, na segunda, a área jurídica da CBV enviou e-mail aos jogadores com uma ameaça, conforme revelou o Blog do Voloch. O e-mail dizia que, "em caso de nova violação do compromisso assumido com a CBV", os atletas seriam multados em 50% do que eles recebem de diária e de premiação por defenderem a seleção brasileira. Os jogadores, que já estavam incomodados, ficaram revoltados.

Ontem (25), na estreia na Liga das Nações contra o Canadá, a maior parte da seleção feminina entrou em quadra usando calçados da Nike e da Adidas, mas tapando com esparadrapo as marcas concorrentes da Asics. O fato se repetiu hoje, em vitória sobre a República Dominicana.

Encerrado o jogo a CBV se posicionou dando um passo atrás. "A CBV e a Asics estão sempre à disposição para fornecer os produtos da marca patrocinadora oficial aos atletas, no intuito de promover o bem-estar de todos. Reafirmamos que a confederação respeita integralmente o direito de seus atletas, a legislação vigente, bem como os contratos", completou a confederação.