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REPORTAGEM

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França cria regra e permite mulheres trans no rúgbi feminino

Alexia Cérénys, jogadora francesa de rúgbi  - Reprodução/Instagram
Alexia Cérénys, jogadora francesa de rúgbi Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/05/2021 17h27

No Dia Mundial contra a Homofobia e a Transfobia, comemorado hoje (17), a Federação Francesa de Rúgbi (FFR) anunciou a criação de uma regra que passa a permitir, oficialmente, a participação de mulheres trans nas competições femininas da modalidade. A World Rugby já havia vetado essa possibilidade no esporte internacional, o que causou críticas na comunidade do rúgbi, que é tido como um esporte inclusivo.

"Por muito tempo, a FFR permitiu que as pessoas trans que têm uma atribuição de gênero joguem na categoria de seu registro civil. Mas nossos novos regulamentos também incluirão pessoas em processo de transição", explicou, ao Le Monde, o presidente da entidade francesa, Serge Simon.

A decisão da FFR é importante porque cria um precedente para que federações nacionais de rúgbi adotem medidas inclusivas para jogadoras trans, indo na contramão da regra internacional, que considerou que as mulheres trans poderiam oferecer de 20% a 30% de risco de risco adicional de lesões às mulheres cis, por serem potencialmente mais fortes e terem troncos maiores.

No caso da França, essa nova regulamentação é especialmente significativa porque há uma mulher trans jogando na primeira divisão nacional. Alexia Cérénys, do Lons, disse ao Le Monde que está encantada como o grande avanço na regra que essa é uma forma de "desconstruir os preconceitos contra as mulheres trans no esporte".

"Se entrarmos no complexo debate da justiça esportiva, devemos começar removendo a falsa barreira da justiça natural, onde todos começaríamos da mesma linha de partida, com as mesmas qualidades. A força muscular não deve ser uma desculpa para excluir uma população", comentou Simon, que é médico.

Pela nova regra, são elegíveis mulheres trans que passaram por um ano de tratamento hormonal e que, a partir desse período de carência, mantêm 5 nmol/L de testosterona no sangue — nos Jogos Olímpicos, o limite é mais amplo, de 10 nmol/L. No caso de atletas com dimensões extraordinárias, uma comissão avaliará sua elegibilidade.