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REPORTAGEM

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Brasileira do #Yadinho pode brigar por Olimpíada no judô pelo Paraguai

Ingrid Souza, a Yayah - Reprodução/Facebook
Ingrid Souza, a Yayah Imagem: Reprodução/Facebook
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/05/2021 04h00

Nenhum judoca brasileiro causou tanto frisson nas redes sociais nos últimos tempos quanto Ingrid Larissa Souza. Treinando no Paraguai, a estudante de medicina campeã distrital da categoria até 44kg em 2017 virou assunto mundial no Twitter depois de um selinho durante uma live na madrugada de ontem (14).

Conhecida como Yayah na comunidade que retransmite por streaming suas partidas de Counter-Strike: Global Offensive, um jogo on-line de tiro em primeira pessoa, ela viajou do Paraguai até São Paulo para encontrar o também streamer Lindinho. Os dois flertavam há algum tempo nas lives da comunidade de CS:GO, mas ainda não se conheciam.

Ontem, Lindinho abriu uma live da Twitch com Yayah ao fundo e passou a ler os comentários. Um deles sugeria um selinho entre os dois, e foi o que a judoca fez, pegando o crush de surpresa. Em minutos, a hashtag #Yadinho (uma fusão dos nomes de Yayah e Lindinho) se tornou a mais compartilhada do mundo no Twitter.

Yayah é o apelido de infância de Ingrid Larissa Souza, judoca de 22 anos de Valparaíso (GO), e que já competiu tanto por Goiás quanto pelo Distrito Federal. Filha de dois professores de educação física, começou cedo no judô, aos 3 anos, e se dedicou à modalidade, de forma intensa, até os 17.

Os resultados vieram. Em 2016, ela foi medalhista de bronze por equipes nos Jogos Escolares. No ano seguinte, venceu o distrital na categoria superligeiro, para atletas de até 44 quilos. Sua última competição oficial foi o Campeonato Regional Sub-21 do Centro-Oeste, em que ficou com o bronze, em 2018.

Depois disso, em 2019, a família se mudou para o Paraguai, por questões profissionais do pai. Com a pandemia, Ingrid precisou parar de treinar. Retornou recentemente, ainda com restrições, já no CT do Comitê Olímpico Paraguaio, em Assunção. Estudante de medicina, concilia a rotina de treinamentos com os estudos e, claro, com os streamings. Se a chipada mundial fizer efeito, também vai ter que conciliar um namorado.

Vivendo no Paraguai, ela tem um caminho mais curto para grandes eventos internacionais, como a Olimpíada, que propicia convites para países que não conseguem vaga pelos critérios universais, como forma de divulgar a modalidade. O Paraguai não tem tradição no judô, principalmente o feminino, e nunca mandou uma judoca aos Jogos, mas, recentemente, contratou o técnico brasileiro Gabriel Vicentini. Ele foi treinador olímpico em 2016 com o capixaba Nacif Elias, que representou o Líbano.