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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Campeão do Pan é suspenso por doping e diz que estava no Black Lives Matter

Omar Craddock - Reprodução/Instagram
Omar Craddock Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/05/2021 10h29

O campeão do salto triplo nos Jogos Pan-Americanos de Lima, Omar Craddock, está fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O norte-americano foi suspenso pela Athletics Integrity Unit (AIU), braço antidoping da federação internacional de atletismo, por falhar três vezes em ser encontrado para ser submetido a exames surpresa. Em um dos casos, alegou que estava em um protesto do Black Lives Matter.

Atletas previamente selecionados pelos órgãos nacionais de combate ao doping (ABCD, no caso do Brasil) ou pelas federações internacionais precisam manter atualizada uma planilha conhecida mundialmente como "whereabout", indicando onde, a cada dia, eles estarão em um horário predeterminado. É nesse endereço que os fiscais antidoping devem procurá-lo quando quiserem fazer um teste surpresa.

Cada atleta pode perder esse exame no máximo duas vezes dentro de um período de 12 meses corridos. Na terceira, ele é suspenso. Foi o que aconteceu com o norte-americano Christian Coleman, atual campeão mundial dos 100m, que pegou um gancho de 18 meses e está fora de Tóquio.

Agora é Craddock que sofre com essa regra, bastante contestada por atletas americanos, que alegam que são testados mais vezes que rivais orientais e, portanto, correm mais vezes o risco de não serem encontrados, pelas mais diversas razões. Antes da Rio-2016, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) chegou a travar uma queda de braço com a ABCD pelo mesmo motivo, reclamando que os testes surpresa estavam exagerados e poderiam tirar um brasileiro da Olimpíada por não ser encontrado.

No caso de Craddock, ele não foi encontrado para um exame em agosto de 2019, logo depois de ter sido campeão dos Jogos Pan-Americanos (e testado em Lima), e depois em junho e julho de 2020. Para o segundo episódio, explicou que estava em um protesto do Black Lives Matter. Disse ainda que precisou sair de casa porque a pessoa com quem morava teve covid.

O juiz do caso anotou que "tem muita simpatia pelo atleta" e que levaria em consideração todos esses acontecimentos. Mesmo assim, o suspendeu por 18 meses. Craddock, que foi quarto no Mundial de Atletismo de 2015, até pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas é muito improvável que ele seja julgado a tempo de participar da seletiva norte-americana, de 18 a 27 de junho.