PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Judoca cego que ficou na UTI é o primeiro atleta vacinado para Tóquio

Antonio Tenório é o primeiro atleta vacinado - Alê Cabral/CPB
Antonio Tenório é o primeiro atleta vacinado Imagem: Alê Cabral/CPB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/05/2021 11h05

O judoca paraolímpico Antonio Tenório foi o primeiro brasileiro vacinado pelo programa que vai imunizar as delegações nacionais que irão aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio, a partir de julho. Tenório não foi escolhido à toa e representa uma vitória contra a covid. O multicampeão esteve duas semanas internado com a doença e chegou a ficar na UTI.

"Momento histórico no CT Paralímpico na manhã desta sexta-feira, 14, com o início da vacinação dos atletas brasileiros que irão a Tóquio. O tetracampeão paraolímpico Antonio Tenório é o primeiro imunizado, exatamente 1 mês após recuperar-se da covid", tuitou o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado.

A vacina foi doada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas a doação beneficia também os paraolímpicos. Em São Paulo, o posto de vacinação para até 900 pessoas, incluindo atletas, membros de comissão técnica, jornalistas, oficiais e outros credenciados com residência no Brasil, será exatamente no CT Paraolímpico, onde a imunização começou hoje com o pessoal que treina diariamente lá.

Pouco depois começou a vacinação no Rio de Janeiro, na Escola de Educação Física do Exército. O próprio ministro da saúde, Marcelo Queiroga, aplicou as primeiras doses nos braços da maratonista aquática Ana Marcela Cunha e do remador paraolímpico Michel Pessanha. Depois, passou a responsabilidade para a equipe médica do Exército.

Também hoje, profissionais de saúde vão se dirigir até Saquarema (RJ) para vacinar os atletas das seleções masculina e feminina de vôlei — há pressa para imunizar o time feminino, principalmente, porque as jogadoras viajam para a Itália no começo da semana que vem, depois do fim de semana de folga.

O COB, em parceria com o Ministério da Saúde, o Ministério da Defesa e o CPB, pretende vacinar até 1,8 mil pessoas até terça-feira da semana que vem, dia 18. Depois, a segunda dose será aplicar dentro de 21 dias, prazo recomendado pela Pfeizer, fabricante do imunizante — no Programa Nacional de Imunizações (PNI), o governo separa as doses por três meses.

No total, 12 mil doses de vacina foram doadas pelo COI ao Brasil, sendo 4 mil da Pfeizer e 8 mil da Coronavac, mas só as da primeira marca serão utilizadas. Todas as excedentes, que não foram aplicadas nas delegações olímpica e paraolímpica, serão incorporadas ao SUS pelo PNI. Essa contrapartida, de pelo menos duas vacinas para cada uma aplicada, faz parte da oferta do COI e justifica a exceção do governo para que as delegações fossem incluídas como prioritárias no programa.