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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Governo publica lista do Bolsa Atleta com dados errados do início ao fim

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília - Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro em Brasília Imagem: Adriano Machado/Reuters
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/05/2021 13h05

Com um mês e meio de atraso, o governo federal publicou hoje (13) a lista de beneficiados do Bolsa Atleta. E apesar do tempo extra para produzir a relação, o documento está errado do início ao fim. As informações sobre os mais de 7 mil esportistas beneficiados não batem. Por exemplo: consta ali que Thaisa, do vôlei, joga futebol e mora em Ibirité (MG). Por essa lista, o atirador Felipe Wu faz ginástica artística e a jogadora de vôlei de praia Bárbara Seixas compete no judô de cegos.

Tradicionalmente a lista é publicada no Diário Oficial com uma tabela que tem o nome do atleta, parte do seu CPF, a modalidade, como ele se encaixa no programa (posição no evento válido, se prova individual ou coletiva, em qual faixa etária), e cidade natal. Mas a relação que consta no Diário Oficial de hoje misturou todos esses dados.

Por exemplo: o 35º da lista é André Luiz Patrocínio Couto, que jogou a Rio-2016 pela seleção de hóquei sobre a grama. Mas os dados dele — "canoagem slalom" e "Piraju (SP) — são, provavelmente os de Charles Correa, que na lista aparece sendo um atleta de atletismo e morador de Campo Mourão (PR). Os erros aparecem da primeira à última linha do documento, que ocupa mais de 70 páginas do Diário Oficial.

Com essas informações erradas, é impossível fiscalizar a relação divulgada pelo governo, que festejou ter batido recorde no número de contemplados: 7.197, contra 6.357. Esse aumento se explica pela inclusão dos novos esportes olímpicos, como skate e surfe, que estreiam no programa em Tóquio-2020. Até então eles não eram considerados nesse tipo de edital, que só contempla modalidades dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

O governo federal não lançou edital do Bolsa Atleta em 2020, porque não havia recursos previstos no orçamento para o programa. Justificando que iria "unir" dois editais em um, por causa da pandemia, o Ministério da Cidadania lançou o edital de 2021 em janeiro, considerando resultados de 2019 ou de 2020 — cada confederação deveria escolher um dos anos, descartando os eventos do outro.

O edital previa que a lista fosse divulgada em 31 de março, o que não aconteceu. Questionada pela reportagem, a Secretaria Especial do Esporte explicou na época que o atraso era ocasionado pelo atraso na sanção presidencial do Orçamento de 2021, o que aconteceu em 22 de abril. Mas a lista só foi publicada hoje, mais de três semanas depois. A maioria dos atletas está sem bolsa desde fevereiro.