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REPORTAGEM

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Rúgbi masculino prioriza Copa do Mundo e abre mão de tentar Olimpíada

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/05/2021 18h53

O Brasil não tentará se classificar aos Jogos Olímpicos de Tóquio no rúgbi sevens masculino. Com chances remotas de vagas no torneio, a equipe vai priorizar as eliminatórias para a Copa do Mundo de "rúgbi union" de 2023, que terá jogos em datas próximas ao Pré-Olímpico. Os jogadores que atuam nos dois times são basicamente os mesmos e muitos se mantêm graças à Bolsa Atleta, à qual têm acesso como jogadores de rúgbi sevens — o programa não engloba o rúgbi union.

A decisão anunciada hoje pela Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu) reforça a postura da entidade máxima do rúgbi brasileiro de, no masculino, priorizar o chamado "rúgbi union", ou "rúgbi XV" (do numeral romano 15), disciplina mais tradicional da modalidade, em detrimento ao sevens, versão que é jogada nos Jogos Olímpicos desde a Rio-2016.

A CBRu vem adiando a meta de classificar o Brasil pela primeira vez a uma Copa do Mundo. No início da década, a meta era estrear no mundial de 2019, no Japão, que passou longe de ser alcançada. Agora, é classificar para a Copa de 2023, na França. Na prática, é preciso ficar no máximo em segundo lugar, em um complexo sistema de classificação, entre todos os países das Américas, exceto a Argentina, pré-classificada. No ranking mundial, o Brasil fica atrás de Canadá, Uruguai e EUA.

De acordo com a confederação, o primeiro jogo dessas Eliminatórias, contra o Paraguai, será realizado entre junho e julho, em local a definir, coincidindo com a Repescagem Mundial para a Olimpíada no sevens, entre 19 e 20 de junho, em Montecarlo (Mônaco).

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"A convocação de atletas para a disputa da repescagem mundial reduziria sensivelmente o período de treinamento dos Tupis visando a vaga na Copa do Mundo", explicou a CBRu, apontando ainda que não poderia aumentar o elenco da seleção permanente que treina em São Paulo porque esses atletas estão sem disputar partidas oficiais há meses e correriam risco de se lesionar ao serem expostos a cargas excessivas sem a preparação adequada.

O Brasil surpreendeu ao conquistar vaga nessa repescagem do sevens ao ser vice-campeão sul-americano em junho de 2019, no Chile, vencendo os chilenos na primeira fase e perdendo apenas na final, para a Argentina. O torneio pré-olímpico em Mônaco vai contar com potências como França, Irlanda e Samoa, que jogam a Word Series.

No feminino a situação é inversa e o foco do investimento da CBRu é no rúgbi sevens. A seleção brasileira já está classificada para Tóquio desde meados de 2019, quando venceu o Pré-Olímpico Latino-Americano.