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REPORTAGEM

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COB aguarda Ministério da Saúde para começar a vacinar atletas na quarta

Vacinação contra covid-19 realizada no CMS Clementino Fraga, nesta quarta (05), na zona norte do Rio de Janeiro, com a vacina da Pfizer - JURANIR BADARó/ESTADÃO CONTEÚDO
Vacinação contra covid-19 realizada no CMS Clementino Fraga, nesta quarta (05), na zona norte do Rio de Janeiro, com a vacina da Pfizer Imagem: JURANIR BADARó/ESTADÃO CONTEÚDO
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/05/2021 16h11

A vacinação de atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio pode começar já na próxima quarta-feira (12), com os jogadores das seleções de vôlei que estão treinando em Saquarema (RJ). O Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Ministério da Defesa, responsáveis pela parte operacional da vacinação da delegação, aguardam apenas a publicação de uma nota técnica prometida pelo Ministério do Saúde, alterando o Programa Nacional de Imunizações (PNI) para incluir os "olímpicos" entre os grupos prioritários.

Os atletas, técnicos, membros de comissão técnica, árbitros, jornalistas, e outros credenciados para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio serão vacinados com doses doadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que por sua vez recebeu doações do comitê olímpico chinês (do imunizante Coronavac) e da Pfizer/BioNTech.

A oferta é de 9,4 mil doses de vacina, suficiente para imunizar 4,7 mil brasileiros com as duas doses necessárias. A lista produzida pelo COB e pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) tem cerca de 1,2 mil pessoas, o que significa que outros 3,5 mil brasileiros serão vacinados pelo SUS com os imunizantes doados pelo movimento olímpico.

A programação inicial era que os atletas fossem vacinados com a primeira dose na quarta-feira (12), mas como a nota técnica do Ministério da Saúde não havia sido publicada até a tarde de hoje (10), o COB e o Ministério da Defesa optaram por adiar os planos e programar a vacinação para sexta (14), ganhando uma margem de segurança. As seleções de vôlei seriam exceção e serão vacinadas na quarta se a nota técnica sair até lá. É que os times viajam depois para a Itália, onde disputam a Liga das Nações.

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O governo do Ceará se antecipou e divulgou que o programa de vacinação vai incluir 1.266 pessoas, e que elas receberão a vacina da Pfizer. A marca do imunizante, porém, ainda não foi definida. De um lado, a opção pelo da Pfizer pode ajudar os atletas a viajarem sem restrições no exterior no futuro. Já a Coronavac tem distância de tempo menor da primeira para a segunda dose, permitindo que os vacinados estejam imunizados em menos tempo.

A vacinação será realizada em seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte. A maioria do grupo alvo, mais de 600 pessoas, será atendida em São Paulo, provavelmente na sede do CPB. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com mais de 400. O COB ainda estuda o que fazer com os atletas que estão no exterior. É o caso, por exemplo, da grande maioria dos jogadores das seleções de handebol, que jogam por clubes da Europa e vivem lá.

A lista de mais de 1,2 mil nomes inclui jogadores da seleção brasileira masculina de futebol, que disputará os Jogos Olímpicos de Tóquio com uma seleção sub-24, mas que pode ser reforçada por três atletas sem limite de idade. Pelo leque amplo de possibilidades, a lista bate com os possíveis nomes de convocados para a Copa América. Isso significa que, se a CBF quiser, na sexta ela poderá ter ao menos os jogadores da Copa América que jogam no Brasil vacinados com a primeira dose, sem precisar recorrer às vacinas oferecidas pela Conmebol, que não estão autorizadas a serem aplicadas no Brasil.

A diferença é que as vacinas doadas pelo COI para a delegação que vai a Tóquio incluem uma contrapartida para o SUS e foram tratadas diretamente com os ministérios da Defesa e da Saúde. Só serão aplicadas após alteração do PMI. Além disso, a representação nos Jogos Olímpicos é historicamente considerada uma prioridade do país, haja vista o financiamento público da preparação e da viagem em si e do pagamento de bolsa, por parte do governo, para os atletas com potencial de medalha, através da Bolsa Pódio.