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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Baby é prata na Rússia e fica perto de vaga na terceira Olimpíada

David Moura (esq) e Rafael Silva (dir) - Divulgação
David Moura (esq) e Rafael Silva (dir) Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/05/2021 15h55

Medalhista nas últimas duas edições dos Jogos Olímpicos, Rafael Silva está a um passo de disputar a Olimpíada pela terceira vez e tentar a terceira medalha, o que seria um feito inédito no judô brasileiro. Baby, como é conhecido, trava uma duríssima corrida interna contra David Moura e deu enorme passo para vencer essa disputa ao faturar a prata no Grand Slam de Kazan, na Rússia, hoje (7). No total, a equipe brasileira foi ao pódio cinco vezes, com duas pratas e três bronzes.

No judô, cada país pode ter apenas um atleta por categoria de peso nos Jogos, e a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) usa o ranking olímpico como principal critério. No peso pesado, para atletas de mais de 100 quilos, Baby e David Moura vêm travando uma disputa interna desde o ciclo passado. Na briga por uma vaga na Rio-2016, Baby saiu vitorioso, principalmente porque venceu mais lutas contra atletas da elite da modalidade.

Agora os dois travam de novo uma disputa apertadíssima. Na última atualização do ranking mundial, Baby era o sétimo e David Moura o 11º. Mas essa diferença vai aumentar porque, no Grand Slam de Kazan, hoje, ele chegou à medalha de prata, enquanto David Moura ficou com o bronze. Ambos perderam só para o russo Tamerlan Bashaev, mas um na final, outro na semi. O rival é o sexto do ranking.

Considerando os descartes, Baby vai somar 240 pontos, chegando a 5.075 que já tem, enquanto David Moura vai a 4.533. Faltando apenas o Campeonato Mundial para ser disputado, David Moura só passa Baby se for campeão ou vice do torneio, que será disputado na segunda semana de junho, na Hungria. Por enquanto a vaga é de Rafael Silva, que venceu David na final do Campeonato Pan-Americano e fez final dos últimos dois Grand Slam's.

No pesado feminino a corrida olímpica brasileira também é muito acirrada. Hoje tanto Maria Suelen Altheman quanto Beatriz Souza foram medalhistas de bronze em Kazan, ambas derrotadas na semifinal. Para as duas, nada muda no ranking olímpico, porque ambas já tinham pontuação alta para descartar.

Suelen tem 428 pontos de vantagem sobre Bia, mas a judoca mais nova tem pontuação melhor na segunda metade da corrida olímpica, enquanto Suelen foi melhor nos torneios realizados entre o segundo semestre de 2018 e o primeiro semestre de 2019, há bastante tempo, portanto. Por isso, Bia tem chance reais de ser convocada para Tóquio, e a disputa deve ser decidida no Mundial.

Em Kazan, a outra medalha do Brasil veio com Ketleyn Quadros, na categoria até 63kg, de prata. Medalhista de bronze na Olimpíada de 2008, a veterana é a número 13 do ranking mundial e abriu boa vantagem sobre Alexia Castilhos, que é a 23ª. Maria Portela foi até a semifinal, acabou sem medalha, mas deu passo importante para chegar a Tóquio como uma das oito cabeças de chave de categoria até 70kg.

Além deles, o Brasil vai a Tóquio confiante de bons resultados com os atletas citados, com Mayra Aguiar, que se recupera de cirurgia e deve voltar às competições no Mundial, com Larissa Pimenta (até 52kg) e Daniel Cargnin (até 66kg), principalmente. Larissa não lutou em Kazan, enquanto Daniel parou nas oitavas.