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Olhar Olímpico

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Vacinação de atletas e jornalistas é a chave para Olimpíada ser realizada

Produção de vacina da Pfizer/BioNTech em Reinbek, na Alemanha - Christian Charisius/REUTERS
Produção de vacina da Pfizer/BioNTech em Reinbek, na Alemanha Imagem: Christian Charisius/REUTERS
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/05/2021 16h35

O Comitê Olímpico Internacional (COI) vem batendo na tecla de que a vacinação não é obrigatória, mas recomendável, para participar dos Jogos de Tóquio. Nos bastidores, porém, a entidade vem trabalhando para que o maior número possível de credenciados esteja vacinado até o início da competição, em 23 de julho. Por segurança de todos os envolvidos e para convencer a opinião pública japonesa de que os visitantes não serão um risco ao país.

Hoje (6), o COI informou que firmou um Memorando de Entendimento com a Pfizer e com a BioNTech para doação de vacinas para "participantes" dos Jogos de Tóquio em todos os países participantes. Antes, o órgão máximo do movimento olímpico já havia recebido doações ofertadas pelo Comitê Olímpico Chinês, das vacinas produzidas naquele país, incluindo a Coronavac.

Essa variedade de imunizantes é importante porque a autorização para aplicação dessas vacinas varia de país para país. Por exemplo, não há aprovação para uso dos imunizantes chineses no Canadá. Assim, sequer foi aberta a discussão entre o Comitê Olímpico do Canadá e o governo local para que as doses doadas pela China fossem aplicadas nos atletas canadenses. Agora, com a vacina da Pfizer no cardápio, eles poderão ser vacinados.

Em nota publicada hoje, o COI disse que está está trabalhando com os comitês nacionais para "incentivar e auxiliar seus atletas, oficiais e partes interessadas" a serem vacinados antes de irem a Tóquio. Isso inclui os jornalistas credenciados, também.

É que a segurança dos atletas e dos participantes dos Jogos como um todo é só uma parte da preocupação do COI. O Comitê Internacional tem ressaltado a importância de "mostrar solidariedade aos nossos amáveis anfitriões japoneses", como disse Bach hoje. O maior entrave à realização da Olimpíada atualmente, afinal, é a rejeição da população japonesa, que teme que o país receba novas cepas e tenha um aumento no número de casos de covid com a chegada de dezenas de milhares de estrangeiros.

Assim, quando o COI assegura que a maioria dos participantes dos Jogos, atletas ou não, estará vacinada, ele também afirma que a maior parte dos visitantes estará vacinado, uma vez que a presença de torcedores estrangeiros já está descartada. No Japão, especificamente, a vacinação ainda patina e menos de 3 milhões de pessoas tomaram a primeira dose, por enquanto.

"Estamos convidando os atletas e as delegações participantes dos próximos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos a dar o exemplo e aceitar a vacina onde e quando possível. Ao tomar a vacina, eles podem enviar uma mensagem poderosa de que a vacinação não é apenas uma questão de saúde pessoal, mas também de solidariedade e consideração pelo bem-estar dos outros em suas comunidades", comentou o presidente do COI, Thomas Bach.

Diversos países estão vacinando a delegação que vai a Tóquio como parte do grupo prioritário, dentro da ideia de que o atleta que vai aos Jogos Olímpicos age como embaixador do país perante a comunidade internacional e que sua participação na Olimpíada é importante para o país à medida que incentiva a prática de atividades físicas. Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, colocaram atletas como prioritários na fila da vacina.

Em outros países, como Estados Unidos, Israel e Rússia a vacinação está adiantada a ponto de todos os atletas locais terem a oportunidade de se vacinarem pelo calendário regular até os Jogos de Tóquio. A estratégia do COI é que onde isso não for possível, as vacinas ofertadas pela Pfizer/BioNTech e pelos chineses possam chegar diretamente aos atletas.

É o caso do Brasil. Aqui, o COB recebeu a oferta de 6 mil imunizantes, do tipo Coronavac, para 2 mil possíveis participantes das delegações olímpicas e paraolímpicas e, como contrapartida, para 4 mil pessoas atendidas no Plano Nacional de Vacinação. Essa oferta foi levada ao Ministério da Saúde, que topou.

As vacinas serão aplicadas pelo Ministério da Defesa, em postos das Forças Armadas, espalhados em seis capitais. Esses postos terão uma lista com os nomes das pessoas aptas, que já informaram ao COB em que cidades preferem se vacinar nas datas preestabelecidas. A vacinação deve começar terça ou quarta da semana que vem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL