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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Campeão da seletiva de natação testou positivo para anabolizante injetável

André Calvelo - Satiro Sodré/SSPres/CBDA
André Calvelo Imagem: Satiro Sodré/SSPres/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/05/2021 11h45

A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) confirmou a suspensão provisória de André Luiz Calvelo, nadador que venceu os 100m livre na Seletiva Olímpica brasileira, há duas semanas, no Rio de Janeiro. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) havia anunciado apenas que um atleta havia testado positivo para substância proibida e suspenso, mas sem divulgar o nome do nadador, que foi relevado no mesmo dia pelo Olhar Olímpico.

Como havia ainda a possibilidade de Calvelo solicitar a contraprova e ela dar negativo, nem a ABCD nem a CBDA comentavam o caso. Mas ontem (5), o órgão que controla o combate ao doping no país atualizou a lista de atletas suspensos e incluiu o nadador da Unisanta, confirmando a única informação que havia sido revelada pela ABCD: ele foi flagrado em exame surpresa no dia 18 de março. A testagem foi feita enquanto ele treinava no Maria Lenk, estrutura do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

A ABCD confirmou também informação que havia sido publicada pelo jornal O Globo, que Calvelo testou positivo para drostanolona, um anabolizante injetável usado para aumento de potência muscular. Foi a mesma substância que causou a suspensão do lutador de MMA Anderson Silva em 2015.

A drostanolona é conhecida como "bomba" de academia, usada por pessoas que querem ficar "rasgadas" mais rapidamente. Mas o uso dela fere as regras do Código Mundial Antidoping, que é rígido neste tipo de situação, prevendo suspensão de até quatro anos.

Calvelo, que vem de uma família de esportistas — é irmão do jogador Wagner Leonardo, do Santos, atualmente no Náutico —, tem um irmão fisiculturista, pelo que apurou a reportagem. Ele apareceu com os músculos muito bem definidos para a seletiva olímpica e venceu a prova dos 100m deixando para trás nomes mais conhecidos como Marcelo Chierighini e Pedro Spajari, por exemplo.

O nadador até aqui não se pronunciou sobre o caso. A reportagem apurou que ele contratou o advogado Marcelo Franklin, especialista em casos de doping, mas que tem suas principais vitórias em processos nos quais comprovou contaminação em suplementos. Desta vez, porém, a droga encontrada é usada apenas de forma injetável. Além disso, Calvelo estava em um ambiente controlado, indo do hotel para a piscina com sua equipe no Rio de Janeiro.