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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Brasil brilha no Pré-Olímpico de Saltos, mas fica sem vagas na esgrima

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/05/2021 11h05

O fim de semana foi movimentado para o Time Brasil. Na esgrima, quatro brasileiros participaram do Pré-Olímpico das Américas na Costa Rica, mas nenhum conseguiu o título e, consequentemente, a vaga olímpica. Enquanto isso, na Copa do Mundo de Saltos Ornamentais, que está sendo disputado no Japão, como evento-teste para a Olimpíada, já classificou três brasileiros para voltarem a Tóquio. E Kawan Pereira vem dando show: está na final da plataforma, classificado com o sexto lugar da semifinal.

A Copa do Mundo de Saltos é o primeiro evento relevante promovido pelos organizadores dos Jogos de Tóquio desde o início da pandemia, no começo do ano passado, e foi mantido, sem público, apesar da decretação de estado de emergência na região de Tóquio. Lá, de quatro brasileiros que saltaram hoje (3), três conseguiram vaga olímpica, classificando para as semifinais, entre os 18 primeiros.

A primeira foi Luana Lira, que ficou na 16ª colocação no trampolim. A saltadora de 25 anos participa de Campeonatos Mundiais desde 2015, mas vai para sua primeira Olimpíada, uma vez que não conseguiu vaga na Rio-2016. Anna Lucia Santos, porém, foi mal, terminando apenas na 42ª colocação.

Depois, dois garotos brasileiros brilharam na plataforma. Kawan Pereira, de 19 anos, foi quarto nas eliminatórias, com 456,05 pontos, nota que seria suficiente para classificá-lo à final do último Mundial, por exemplo. E Isaac Pereira, de 21, também foi muito bem, em oitavo, com 427,55. Esse resultado classificou ambos à Olimpíada e à semifinal, que também foi hoje. Kawan foi sexto nesta etapa, com 448,80, e volta para a final amanhã (4). Isaac parou em 18º.

"A gente vem treinando para isso. Confesso que estava um pouco nervoso, mas mantive minha cabeça no lugar e consegui desempenhar aquilo que fiz no treino. Ainda não estou acreditando que estou classificado para os Jogos Olímpicos. É uma alegria imensa", festejou Kawan.

Hoje serão disputadas as eliminatórias da plataforma feminina, com o Brasil sendo representado por Giovanna Pedroso e Ingrid Oliveira. Na terça, Ian Matos e Luis Felipe Moura vão saltar no trampolim. Ainda que eles não se classifiquem para as semifinais, ainda terão chance pela realocação de vagas.

Esgrima vai mal

Na Costa Rica, a equipe de esgrima não conseguiu nenhuma nova vaga para Tóquio. Assim, o Brasil vai à Olimpíada com apenas dois atletas: Nathalie Moellhausen, que foi campeã mundial na espada em 2019, e Guilherme Toldo, pelo ranking mundial do florete. Os dois chegarão ao Japão com chance de brigar por medalha.

No Pré-Olímpico, mais quatro brasileiros tentavam vaga como melhor do continente em cada arma, entre aqueles que ainda não estavam classificados. O Brasil tinha boas expectativas, mas acabou de mãos vazias. Na espada, Athos Schwantes, que buscava sua terceira Olimpíada, perdeu na semifinal para Reytor Venet, de Cuba. Bia Bulcão, na espada, também foi até a semifinal, sendo eliminada pela mexicana Nataly Michel. Karina Trois e Bruno Pekelman ficaram nas semifinais.

Vaga na canoagem

A Federação Internacional de Canoagem (ICF) decidiu não realizar os Pré-Olímpicos da modalidade nas Américas e realocar as vagas do continente. Na canoagem velocidade, a regra foi o resultado do Mundial de 2019 e o Brasil ganhou mais uma vaga em Tóquio, no K1 1.000 metros masculino. O atleta convocado ainda precisa ser escolhido pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), mas a tendência é que o indicado seja Vagner Souta.

Pelo mesmo critério, a vaga no C1 200m feminino deveria ficar com o Brasil, já que Valdenice Conceição foi 12ª colocada no Mundial. Mas a ICF decidiu atribuir a vaga das Américas à Bulgária, um país da Europa, porque considerou que nesta prova as Américas não tiveram número relevante de participantes no Mundial. A CBCa contesta essa decisão.

De forma geral, a solução encontrada pela ICF foi ruim para o Brasil, que organizaria os dois Pré-Olímpicos, em Curitiba (canoagem velocidade) e Rio (canoagem slalom). Além dessa vaga no C1 200m feminino, o Brasil tinha a expectativa de ir a Tóquio no C1 masculino na canoagem slalom, com Felipe Borges especialmente, mas essa vaga foi dada aos Estados Unidos, cujo representante aparece à frente no ranking mundial.

O Brasil já havia classificado para Tóquio a dupla do C2 1.000m, de Isaquias Queiroz e Erlon Souza, que também podem competir na prova individual, Ana Sátila no C1 e no K1 feminino na canoagem slalom, e Pepê Gonçalves no K1, também no slalom.