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Natação rechaça nova seletiva, mas pedirá exceção para ter Etiene nos 50m

Etiene Medeiros no aquecimento da seletiva olímpica - Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Etiene Medeiros no aquecimento da seletiva olímpica Imagem: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

29/04/2021 14h26

Discutida na comunidade aquática, a possibilidade de uma nova seletiva para os atletas da elite da natação brasileira que falharam em se classificar para os Jogos de Tóquio pela Seletiva Olímpica, na semana passada, não é nem cogitada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Ainda assim, a entidade tentará convencer a federação internacional a abrir exceção para que, caso a vaga do revezamento 4x100m livre feminino seja confirmada, Etiene Medeiros possa nadar também os 50m livre, prova na qual foi finalista na Rio-2016.

A possibilidade de uma segunda chance começou a ser aventada logo no primeiro dia da Seletiva, depois que Brandonn Almeida, cotado para ser finalista em Tóquio, falhou em se classificar nos 400m medley e disse, em entrevista pós-prova, que o modelo de seletiva única jogava muita pressão sobre os atletas em um momento atípico e que, se tivesse outra oportunidade, faria o índice. Na transmissão oficial do evento, no dia seguinte, o medalhista olímpico Ricardo Prado sugeriu que os atletas continuassem treinando porque a possibilidade de uma nova seletiva era real.

Mas a CBDA nem discute essa possibilidade. "Os critérios eram conhecidos por todos há 4 anos, portanto não pretendemos fazer uma nova seletiva para os atletas que já nadaram", afirma Renato Cordani. CEO da CBDA. "A seletiva única é um conceito amplo que visa ter o melhor desempenho dos nossos nadadores nos Jogos Olímpicos a curto, médio e longo prazo, trata-se de uma mudança de cultura. E não foi inventado agora, de uma hora para outra. O Conselho Técnico reunido em Santos, em agosto de 2017 decidiu implementar esse formato", continua.

Depois de a natação brasileira chegar bem cotada e sair sem medalhas da Rio-2016, o diagnóstico foi que os atletas tiveram vida facilitada para fazer índice — eram quatro oportunidades. Por isso, para Tóquio, ficou definido que só a final da seletiva valeria como tomada de tempo para obtenção do chamado "índice A" da Fina, ainda que a federação internacional qualifique como apto qualquer atleta que tiver feito esse índice em uma lista grande de eventos, a partir de março de 2019.

O problema para o Brasil é que o Troféu Brasil de abril de 2019, ainda que dentro dessa janela, não foi listado como um torneio elegível. E, nele, Etiene Medeiros fez índice A nos 50m livre e Caio Pumputis nos 200m peito. Considerando que é provável que o revezamento 4x100m livre feminino consiga vaga pela repescagem pelo ranking mundial, Etiene, que faz parte dessa equipe, iria a Tóquio. E aí, quanto mais provas ela puder disputar na Olimpíada, melhor para o Brasil.

Por isso, a CBDA vai solicitar à Fina que o Troféu Brasil de 2019 seja elegível, retroativamente, como tomada de tempo. Se a solicitação for aceita e o revezamento 4x100m livre conseguir vaga em Tóquio, Etiene poderia nadar os 50m livre na Olimpíada — mas não os 100m costas, no qual só tem índice B. Caio Pumputis, que vai ao Japão para nadar os 200m medley, também conseguiria se inscrever nos 200m peito.

Além dos atletas que fizeram índice na Seletiva da semana passada, o Brasil pode também inscrever Vinicius Lanza nos 100m borboleta, porque ele nadou abaixo do índice no Mundial, um torneio elegível, e vai a Tóquio por ter feito o tempo necessário nos 200m medley. Na seletiva, só Matheus Gonche se classificou nos 100m borboleta.

Mas essa regra só vale para quem foi convocado por ter feito índice na seletiva. João Luiz Gomes Jr, por exemplo, nadou bem melhor do que índice no Mundial de 2019 e, pela Fina, poderia ir à Olimpíada. Mas a CBDA vai manter os critérios e não o convocará, mesmo o Brasil tendo apenas um atleta na prova, Felipe Lima. O objetivo é fortalecer a natação brasileira a longo prazo. "Existem estudos científicos que mostram que os atletas melhoram seus tempos na competição principal quando o formato é esse", afirma Cordani.

No dia 12 de junho cinco brasileiros terão a chance de fazer índice em suas provas, mas porque eles tiveram covid dias antes da seletiva e se aproveitaram de uma exceção aberta pela CBDA, que temia que nadadores omitissem que não estavam se sentindo bem, para não perderem a competição e o sonho olímpico, e acabassem infectando mais gente. No fim, o modelo deu certo e, passados quatro dias da seletiva, ninguém até agora apresentou sintomas.

Viviane Junglubt, entre esses cinco nadadores, é quem tem mais chance de fazer índice, nos 1.500m livre, onde o Brasil já tem Beatriz Dizotti (garantida por ter vencido a prova) e Betina Lorsheitter. Mas também exista a expectativa pelo resultado de Vinicius Assunção, do Fluminense, que pode entrar no revezamento 4x200m livre.