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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Governo dá aval e COB organiza logística para vacinar atletas em maio

Kahena Kunze e Martine Grael carregam bandeira do Brasil em cerimônia de abertura do Pan de Lima - HEULER ANDREY/DIA ESPORTIVO/ESTADÃO CONTEÚDO
Kahena Kunze e Martine Grael carregam bandeira do Brasil em cerimônia de abertura do Pan de Lima Imagem: HEULER ANDREY/DIA ESPORTIVO/ESTADÃO CONTEÚDO
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/04/2021 15h19

Os atletas brasileiros que disputarão os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio deverão estar vacinados até o fim do mês que vem, maio. Em reunião hoje (27) cedo entre a Diretoria de Imunização do Ministério da Saúde, representantes do Ministério da Defesa e do Comitê Olímpico do Brasil (COB), foi dado aval para que o COB e os militares organizem a logística para vacinarem até 2 mil pessoas com imunizantes doados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Como contrapartida, o SUS receberá cerca de 8 mil doses extras da Coronavac, para vacinar outros 4 mil brasileiros.

As vacinas foram doadas pelo Comitê Olímpico da China ao COI, como parte da política internacional do governo chinês, que vai receber a próxima edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, no começo do ano que vem, em Pequim. Os chineses se comprometeram a doar todas as doses necessárias para vacinar as delegações que vão a Tóquio e também à Olimpíada de Inverno, oferecendo aos países uma contrapartida de duas vacinas extras para cada uma utilizada com as delegações olímpicas.

Diversos países nem levaram adiante as tratativas, por motivos dos mais diversos, como uma política interna própria de vacinação de atletas. Em outros locais, não há aprovação local para a aplicação das vacinas chinesas. Como a Coronavac tem aval da Anvisa, essa barreira não existe no Brasil.

Por aqui, o impedimento é a proibição da chamada "vacinação privada" enquanto ainda existem grupos prioritários para serem vacinados. Todas as doses de vacina que chegarem ao Brasil precisam ser incorporadas ao SUS. Mas, no caso dos atletas, isso poderia ser resolvido com a inclusão deles no Plano Nacional de Vacinação, como grupo prioritário. A participação de uma delegação brasileira nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos é uma política pública antiga do governo federal, que paga pela viagem através da Lei Agnelo/Piva e impulsiona a preparação dos atletas com a Bolsa Pódio.

Para que os atletas estejam imunizados antes de deixarem o Brasil para os campings de treinamento no exterior antes da Olimpíada, a vacinação deve começar logo, provavelmente ainda na primeira quinzena de maio. A segunda dose seria aplicada até o fim do mês e, em meados de junho, a um mês dos Jogos Olímpicos, toda a delegação estaria imunizada.

Por se tratar de um número relativamente pequeno de vacinas, menos de 4 mil no total, o governo federal deve utilizar os imunizantes que já fazem parte do estoque do SUS, que seriam repostos quando chegarem ao Brasil os oferecidos pelo COI. Esses detalhes ainda serão melhor discutidos nos próximos dias, depois da confirmação de que o país aceita, sim, a doação.

O aval do Ministério da Saúde inclui atletas das chamadas listas largas (que estão pré-inscritos e podem ser convocados/fazer índice), membros de comissão técnica, a força de trabalho do COB que vai à Olimpíada e também jornalistas credenciados. A oferta do Comitê Olímpico Chinês inclui também a delegação dos Jogos Paraolímpicos, mas, por chegar ao Brasil via COB, é o comitê olímpico brasileiro que tem tratativas com o governo. Os nomes da delegação paraolímpica, porém, serão definidos pelo CPB.

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O plano é que as vacinas sejam aplicadas em bases das Forças Armadas nas principais cidades do país, que receberiam previamente do COB uma lista de quais pessoas estão autorizadas a receber a vacina ali. A relação de atletas apto diminui a cada dia, com a definição dos convocados nas mais diversas modalidades. Na natação, por exemplo, eram mais de 100 elegíveis na semana passada e agora são menos de 30. O tênis de mesa anunciou ontem seus oito convocados.

O governo e o COB concordaram em vacinar também a lista larga enviada pela CBF para a seleção masculina de futebol, que é mais larga do que de outras modalidades, incluindo jogadores sub-24, mas também muitos jogadores mais velhos, que poderiam ocupar uma das três vagas reservadas. Por isso, a relação deve ser maior do que 1,4 mil pessoas, número divulgado ontem pelo blog.