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REPORTAGEM

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COB assina com Prevent Senior para ter seu maior contrato de patrocínio

Simbolo do COB - Divulgação
Simbolo do COB Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/04/2021 14h30

A operadora de saúde Prevent Senior entrou com força no mercado olímpico. Ontem (21), o braço esportivo da empresa, a Prevent Sports, anunciou contrato de patrocínio com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), para, entre outras coisas, "cobrir e amparar" 3 mil pessoas até os Jogos de Paris em 2024. Hoje, revelou acordo também com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), por quatro anos, em um contrato de R$ 27 milhões, que inclui plano de saúde para mais de mil pessoas.

O COB tem como política não revelar valores de seus contratos de patrocínio, mas esse passa a ser, de longe, o maior em vigência. Pelo balanço financeiro de 2020, recentemente publicado, o COB teve como principal apoiador no ano passado o grupo de educação Estácio, com R$ 4,9 milhões.

"Entre outras ações, o grupo médico-hospitalar fornecerá para os atletas serviços de diagnóstico, exames laboratoriais e de imagem, procedimentos cirúrgicos, prontuário médico eletrônico, internação, apoio com ambulâncias e posto médico em eventos, além de ceder equipamentos para o Centro de Treinamento do Time Brasil", informou o COB, em comunicado.

O contrato vai até 31 de dezembro de 2024 e inclui os testes RT-PCR, em São Paulo, necessários à delegação brasileira para atender às exigências do Comitê Organizador dos Jogos até o embarque para os Jogos Olímpicos de Tóquio. A Prevent Senior é investigada pelo Ministério Público de São Paulo por suspeitas de pressionar médicos a prescrever remédios sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus, ignorando riscos de efeitos colaterais em pacientes. A operadora nega a acusação.

O inquérito apura, ainda, suposta prática de distribuição generalizada do chamado "kit covid" -- composto por medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina. Segundo a promotoria, há suspeita de que as receitas sejam distribuídas ainda antes da consulta, até para pessoas à espera do exame da covid.

Em nota, na oportunidade, a Prevent Senior disse que "tem todo o interesse nas investigações do Ministério Público, instituição de extrema importância e seriedade que, ao final das apurações, constatará que seus médicos agiram sempre de acordo com os marcos legais e na defesa da saúde dos pacientes". O "outro lado" completo da empresa consta neste link.

Contrato também com o atletismo

Já o acordo com o atletismo inclui plano de saúde para 1.088 pessoas, incluindo atletas, os 34 medalhistas em Olimpíadas e Mundiais, o ex-recordista mundial da maratona Ronaldo da Costa e os funcionários da CBAt. O contrato também prevê testes de covid, fornecimento de ambulância para eventos, instalação de sala médica no Centro Nacional de Desenvolvimento do Atletismo e a possibilidade de utilização pelo atletismo da Casa do Atleta Prevent em São Paulo. Segundo a CBAt, o acordo é de R$ 6,8 milhões por ano, em R$ 27,5 milhões em quatro anos.

Nos dois casos, não há repasse de dinheiro para o COB e para a CBAt, mas uma permuta que, além de beneficiar os atletas, reduz custos médicos de ambas as entidades.

"(Os atletas são) constantemente envolvidos no desafio de serem cada vez mais rápidos, mais fortes, mais resistentes. Com toda a nossa expertise, poderemos ajudá-los a alcançar melhoria de performance. E, quando se lesionarem, estaremos prontos para devolvê-los às pistas o mais rápido possível", diz Álvaro Razuk, diretor-executivo da Prevent Senior e responsável pela Prevent Sports.

COB tem novo patrocinador

Na semana passada o COB já havia anunciado que a Riachuelo vai vestir o Time Brasil até os Jogos Olímpicos de Paris. A marca vai assinar os uniformes casuais dos 300 atletas que embarcarão para o Japão. O contrato, porém, não impacta no material esportivo da delegação, que continua sendo da marca chinesa Peak.

A parceria prevê ainda duas atletas-embaixadores da Riachuelo em Tóquio. A ginasta Flavia Saraiva e a surfista Silvana Lima participarão de ações e campanhas da rede, que tem como objetivo estar mais próxima do consumidor, reforçar ainda mais a torcida aos atletas e apoiar o esporte brasileiro. As peças da coleção serão vendidas pela Riachuelo, com royalts para o COB. Além disso, o comitê vai receber um valor não revelado em dinheiro.

Até o fim do ano passado o COB tinha com patrocinadores a Estácio (R$ 4,8 milhões em 2020), a Peak (R$ 3,7 milhões), a Travel Ace (R$ 2,9 milhões), a Ajinomoto (R$ 400 mil), a Menji (R$ 300 mil), a Max Recovery (R$ 300 mil) e a Alpargatas (R$ 440 mil), além de outros contratos menores e do programa de cessão de marca internacional do COI — esses valores constam no relatório financeiro. Dessas, só a Ajinomoto e a Menji, além da Alpargatas, em parte, pagam a entidade em dinheiro. As demais têm contrato de permuta.

O relatório financeiro do COB, porém, relata que em janeiro o comitê celebrou junto à TIM um contrato de patrocínio de R$ 3,5 milhões em dinheiro para os Jogos Olímpicos de Tóquio.